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ENTREVISTA - ANTÓNIO FREITAS ( 2ª. Parte )


Não há volta a dar, quando se fala de Heavy Metal,  todos os caminhos vão dar a… António Freitas !
Prosseguimos  em ALTA TENSÃO com a segunda parte da nossa eletrizante conversa com este fenómeno da comunicação metaleira.
ROCK ON, BROTHERS !!!! 

Será que em Portugal as pessoas ainda  estão intrigadas com o Heavy Metal ? A televisão  continua  bastante assustada. A  que se deve , por exemplo, o  total desprezo  em relação ao  festival  Vagos Open Air ?

Os tempos  mudaram e basta olhar para os nossos filhos para constatar que eles  já estão à vontade com a noção do Heavy Metal.  A televisão está um pouco afastada  devido aos custos de produção.  Eles dizem logo:  “ isto não tem audiência, a malta agora vê tudo na internet e  já não faz sentido  fazer programas  de televisão”. Eu acho que não é assim que funciona porque há muita gente que ainda vê televisão e é por aí que se educa muita gente. Aliás muita gente me diz que aprendeu  através dos meus programas  de televisão e  rádio.
Em relação a Vagos,  a  questão é que o festival ainda não atrai suficiente quantidade de pessoas para merecer uma cobertura pelos   principais canais de televisão. Isso acabará por mudar quando aparecerem mais bandas como os Within Temptation  que são capazes de atraír esse tipo de atenção .

Falaste no Vagos Open Air  mas tens o Barroselas que já existe há  imensos anos,  tens  o Moita Metal  Fest , o Hard Metal  Fest em Mangualde que também já existe há uma data de tempo, ou seja,   tens pequenos  fenómenos desse género. Mas,  às tantas,   não se  justifica em termos editoriais  a deslocação de uma equipa de televisão.
Isto hoje em dia funciona exatamente assim e  é por isso que  tens os canais de televisão  a utilizarem imagens do youtube porque já não têm dinheiro para ir aos locais e fazer as entrevistas . 


Já deves ter assistido a milhares de concertos. Consegues enumerar os que mais te marcaram ? 

Tanta coisa, tanta emoção ! Ver  a minha banda preferida , os Black Sabbath,  na reunião com o Ozzy Osbourne em Birmingham. Metallica no Snake Pit  em Alvalade,   ter  a oportunidade de os ver  num clube para 300 pessoas na Alemanha.  Caramba ! Ter estado  no estúdio dos Metallica no quartel  general  deles nos Estados Unidos…  isto já não é um espetáculo , mas pronto. Ver o Ozzy ao vivo  na República  Checa,  ir no mesmo autocarro que eles com o Geezer Butler   à minha frente agarrado a um rádio transistor para ouvir um relato de futebol  da equipa dele…    man,  bolas !  Nos Black Sabbath , chorei de emoção porque estava a ver a minha banda favorita que eu nunca julguei ver ao vivo .
Assistir ao ensaio dos AC/DC para o Black Ice na Pensilvânia para 1000 fãs. É  pá,  são cenas brutais !  Marilyn Manson  no início de carreira em Londres… estar ali,  junto à grade a tirar fotografias e o gajo a levar com as  escarretas todas do público,  porque ele pedia ao pessoal para lhe cuspirem para cima.  Man,  há tanta tanta cena que eu às vezes até me passo ao relembrar certos episódios marados.
Slayer a tocarem em Milwaukee  numa sala que levava   2000 pessoas no máximo.   Biohazard com o Bobby  Hambel  que era absolutamente incrível, não parava em palco. Ramones ,  foi o meu primeiro espetáculo em Cascais, em 1983,  se não estou em erro . Os Rainbow com o Ritchie Blackmore  e o Cozy Powell  a tocar bateria, um músico absolutamente fabuloso .

Estou convencido que tens na ponta da língua os 5 álbuns que ocupam um lugar de destaque na tua coleção.

Impossível … são muitos anos!  Quando me perguntam que álbuns é que eu levaria   para uma ilha eu  fico logo…   Antigamente pensava , “como vou   levar os meus 40.000 discos para a ilha ?”,   agora já consegues colocar isso num disco rígido. Mas, assim,  obras  incontornáveis ?  Eventualmente o Master Of Reality  dos Black Sabbath, 
Ride The Lightning , dos Metallica . Frank Zappa,  Shake Yerbouti,  que é um álbum que me partiu a cabeça porque me obrigou a aprender a falar inglês para perceber as maluquices que lá estavam.  Tanta coisa !  Pink Floyd é essencial , Doors,  Fear Factory,   White Zombie,  System Of A Down, Thin Lizzy,  Blue Oyster Cult . Há tanta cena emocionante que eu não consigo dizer  só 5.  Desculpa !  





Já falaste com  grandes  estrelas do Metal.  Todos sabemos  que entrevistaste aquele que será um dos  maiores ícones da história do Heavy Metal. Como é que correu esse encontro  com o lendário OZZY OSBOURNE ?

Eu falei com ele três vezes  e foram todas, assim,  algo maradas.  A  primeira foi em Madrid, ele andava a anunciar que tinha deixado de beber,  o gajo estava à minha frente a…  desfazer-se!  Mas o Ozzy é uma daquelas personagens marcantes.
Mas,  conversas,  conversas,  tenho com o Danko Jones,   um puto canadiano que faz álbuns absolutamente incríveis. Tive uma grande  conexão com ele a falar de música…  é desabafar,  percebes ?  Porque eu sou daquele tipo de pessoas que só fala de música. Eu não falo de futebol porque não tenho pachorra , carros, gajas…   eu falo é de música  ! Já estás a perceber, estou a dar-te aqui um bocado de seca porque eu raramente tenho a oportunidade de   falar com as pessoas sobre  música.  Com o Danko Jones  tive essa ligação. É  pá,  mas Marilyn Manson foi também outra pessoa absolutamente incrível que eu segui desde o início.
 Os Metallica…  o Hetfield  é muito boa onda, é  o gajo mais tímido e  reservado da banda. O extrovertido  é o Lars Ulrich,  é aquele  bonacheirão que começa a falar e nunca mais acaba .O  Kirk Hammett  é também algo tímido e nos momentos mais tensos está ali para acalmar o pessoal.  O Jason Newsted é um porreiraço de primeira água.

Deve existir um António Freitas  para lá do metal.  Deves gostar de ler.

Nunca li jornais  e livros é basicamente biografias de artistas. Tive o prazer traduzir a história dos AC/DC   que vai ser publicada brevemente. Li também a biografia do Sting,   do gajo dos Red Hot Chili Peppers e   estou a preparar-me para ler a do Dave Mustaine . Mais, biografia do Ozzy, Tony Iommi , Lemmy…  livros é por aí. 

Cinema ?

Vejo  muito cinema,  a minha obra de referência será, eventualmente, a Laranja Mecânica do Kubrik  e o Alien do senhor Ridley Scott. Há uma data de outro filmes que também gosto  mas foram estas obras que me deixaram completamente de rastos .





A minha filha adorava saber a tua opinião sobre estas duas bandas : 



É uma banda que está bem conseguida mas confesso que esperava que eles fossem por outro tipo de tendência,  por assim dizer. O  último álbum deixou-me algo desiludido porque estava muito rip-off …  cenas gamadas aos Machine Head . Acho que eles não tinham necessidade de fazer isso , pura e simplesmente. São uns putos com cabeça e gostava imenso que eles fizessem algo de mais pessoal .



É aquela onda da nova geração que eu acho que é muito igual a tantas outras. Curiosamente,  o meu filhote mais velho  anda a ouvir precisamente esse género de bandas…



Perdemos a mão neles…  eles agora é que sabem ?

Não, de forma alguma,  é por essas bandas que eles vão acabar por ir bater ao sítio onde tudo começa .

Para finalizar, consegues identificar  na cena metaleira nacional  alguma banda com potencial  para seguir as pisadas dos consagrados Moonspell ?


Dificilmente…   digamos que Portugal está muito deslocado da base  e torna-se complicado as bandas portuguesas saírem do seu berço. Os Moonspell conseguiram porque foi na altura certa.  Se te lembrares tinhas os Ramp e os Tarântula que ainda gravaram algumas coisas a nível internacional mas depois as coisas não correram muito bem . Os Moonspell serão ,eventualmente, o único caso de sucesso internacional.  Faça-se a exceção para os More Than a Thousand  que estão a fazer carreira além-fronteiras. Tens que falar nesta banda à tua filha porque estão dentro daquela onda , Emo e Metalcore.

Moonspell
MORE THAN A THOUSAND





ENTREVISTA - ANTÓNIO FREITAS (1ª.Parte)

Não tenho a mais pequena dúvida que os metaleiros da minha geração foram manietados e desencaminhados pelo poder hipnótico destas duas monstruosas figuras da rádio  : António Sérgio e Luis Filipe Barros.
Numa época em que a internet não passava de uma miragem, os programas , Lança Chamas e Rock em Stock,   captaram a atenção dos putos  que  ansiavam  por novos estilos e sonoridades.
António Freitas , fazia parte dessa multidão mas,  o seu enorme  talento,  fez… maravilhas !
Os Deuses, António Sérgio e Luis Filipe Barros,  não estavam loucos quando “abençoaram” esse puto maravilha  que,  aos poucos , percorreu  o seu caminho  e  transformou-se   numa das vozes  mais influentes  do nosso meio  musical. 
Este blogue já passou por muitas fases,  teve altos e baixos  mas,  agora…   entrou mesmo em ALTA TENSÃO !

Diretamente da Antena 3… o MESTRE está aqui !

Na altura da tua infância  quais foram os fatores que  orientaram os teus gostos musicais no direção do Metal.  Alguma banda ou álbum   em especial ? Influências de  amigos ?  

O meu irmão contava-me histórias que,  em Luanda ,  quando eu era bebé, costumava adormecer-me a ouvir Led Zeppelin,  Creedence Clearwater Revival  e coisas assim do género.  Portanto, só por aí, tenho que agradecer ao meu irmão pelo excelente bom gosto.  Eram as cenas que ele  ouvia na altura em gravador de bobine.
Aos 10 anos virei-me efetivamente para a música. Era um fascínio total talvez derivado à  Generation  Gap  entre mim e a  minha mãe. Ela teve-me muito tarde e,  talvez por não me associar muito às ideologias dela,  cresci assim  um bocado à parte. Era um puto um bocado virado para o solitário.
Depois aconteceu o boom,  tinhas o Rock em Stock  e o Lança Chamas na Rádio Comercial. Terá sido mais por aí. Foi mesmo quase pela rádio.Depois , com o acompanhamento de amigos  lá da rua,  ouvia Sex Pistols,  Ramones e  Van Halen.  Os AC/DC  eram uma paixão absoluta. Eu já contei este episódio várias vezes : na altura eu ouvia  o Highway to Hell no Rock em Stock  e, quando ía para a escola,    passava pela loja da Valentim  de Carvalho :  numa semana,  estava lá o Powerage,  na semana a seguir,  o Dirty Deeds Done  Dirt Cheap  e eu só pensava :  “ quantos álbuns é que estes gajos têm ?”.   Ficava completamente perplexo porque na altura não havia grande informação. Tinhas a revista Musica & Som  e pouco mais. Depois apanhei com a New Wave Of British Heavy Metal,  Punk e  algumas bandas de New Wave.  Os Devo  continuam a ser  uma das minhas bandas favoritas e ainda hoje estive a ouvir. Mas a minha sonoridade favorita é mesmo o Metal. Depois comecei a  descobrir os Black Sabbath,  os Thin Lizzy,  os UFO,  eh pá …

Segundo reza a lenda,  o início da tua carreira foi algo de surreal… foste logo parar junto do  grande  António Sérgio. Como é que isso aconteceu ?

Tive a felicidade e a sorte…  e eu digo isto muitas vezes,  se não fosse essa pessoa eu não estaria vivo sequer , porque na minha adolescência, provavelmente,   teria seguido  por maus caminhos.  No meu prédio vivia o João David Nunes que era o diretor da Rádio Comercial.  A minha mãe cruzava-se muitas vezes com ele e, como também tinha filhos novos,  costumava perguntar : “ Então , D.Rosa , como é que está o Toni  nas aulas?”,   “Ai, Sr. David Nunes,  ele não gosta nada de estudar, eu não sei o que vai ser dele…  só gosta de música, diz que quer ser engenheiro de música e blá, blá, blá…”.  Aquelas lamentações todas próprias de uma mãe.   Por volta dos meus 17 anos , o  Sr. David Nunes disse à  D.Rosa   : “ Oiça, vamos fazer assim, o Toni  vai lá ter comigo à rádio para fazer um estágio, mas,  se ele não tiver jeito , vem como foi, não há nada, não se passa nada e acabou-se tudo,  ok ?”.  A minha mãe ficou felicíssima  e  eu ainda mais feliz  da vida,  porque ía trabalhar para a rádio dos programas que eu ouvia . Atenção, repara  que eu não percebia absolutamente nada de rádio , sabia carregar no botão, ouvia a música e ouvia as pessoas a falar sobre a música… ponto. Não tinha a mais pequena noção do que era a rádio,  do que era um assistente de realização…
Naquela  altura nem sequer imaginava que iria fazer um programa de rádio, Tú estares ali , com aqueles autênticos monstros  como o Carlos Cruz,  Herman , Luís Filipe Barros, José La Féria…  imagina o que é conviver com essas pessoas.  Ficava completamente de rastos !


Mas o António Sérgio terá sido a pessoa que mais te marcou…

Sim,  o António Sérgio foi sempre uma referência,  não só pelo registo de voz como  pelo facto de  fazer o meu programa favorito .  Eu ofereci-me como voluntário para ser assistente dele. Não era sequer pago para isso, bastava ter a honra e a felicidade de estar ali perto  Uma verdadeira escola de vida e,  como digo,  foi talvez a minha salvação de, como puto adolescente parvinho,  me ter metido por caminhos perigosos.

O facto de teres  convivido com toda essa gente   alargou-te os horizontes e deu-te aquela dose extra de motivação para seguires o teu caminho  ?

Repara numa coisa, eu não pensava nisso nesses termos, julgava que aquilo era um sonho muito bom que a qualquer momento podia  acabar . Nunca considerei aquilo como uma forma de emprego . As coisas vieram ter comigo. Nessa altura surgiu a revista Super Som  e convidaram-me para fazer lá uma página a escrever sobre algumas bandas. As pessoas também me reconheciam algum talento no aspeto de que conhecia muita música e era um puto atento . Sabia que fulano de tal tinha estado naquela banda e depois deu o salto para a outra e coisas desse género. Eles às vezes até pensavam que eu inventava essas cenas.
Foi uma autêntica aventura.  Nem nos meus sonhos mais estapafúrdios eu alguma vez pensei  nisso. Isto não estava nos meus planos porque eu nem sequer tinha planos.  Eu cheguei a ser ajudante nas obras ,ajudante de eletricista e coisas desse género…

Não há volta a dar, parece mesmo que tinhas já tudo  planeado.
 É que a partir daí foi sempre a subir .  Fizeste parte daquela  fabulosa equipa que colocou a Rádio Energia no mapa .

Acho que em público nunca disse isto,  mas confesso que fiquei  triste quando vi  o Miguel  Quintão  e o Augusto Seabra abandonarem a Rádio Comercial depois de termos tido aquela aventura  do Rock em Stock  de 6 horas com o Luis Filipe Barros.
 Eles foram abrir efetivamente a Rádio Energia. Mas o Miguel  Quintão  sempre disse : “ Puto, tem calma,  mantém-te  firme que daqui a uns tempos nós conversamos”. A Rádio Energia, no início,  tinha um programa de heavy metal que,  na minha perspectiva,  era feito  de forma algo improvisada .
Um  ano depois da Energia estar no ar, vieram ter comigo com a proposta de eu  ser um dos produtores,  ou seja,  coordenar notícias,  fazer sons e coisas assim do género. A minha condição para ir para lá foi :  fazer a hora de Heavy Metal à noite. Para isso tiveram que afastar a pessoa que lá estava.  Pronto,  eu não queria que acontecesse nada de mal a essa pessoa mas… são vicissitudes da vida.

Foi nessa altura que  deste o verdadeiro salto…


Aí foi efectivamente a minha oportunidade de marcar um territoriozito… porque a rádio era local. Como eu tinha o background do Lança Chamas  pude designar um programa de 1 hora de metal diária , onde  incluía  todas as vertentes da sonoridade. Eu gosto  muito de Hard- Rock e Heavy Metal,  algumas coisas de Black Metal e de Grindcore,  mas acredito que do outro lado as pessoas também gostem de outras  coisas.  Portanto,  a minha obrigação era divulgar e mostrar… sempre foi essa a minha atitude desde o início do programa.

Tinhas liberdade para isso ?

Sempre me deram.   Havia muita gente que  dizia que eu era um vendido e que estava feito com as editoras. Quais editoras ? Era eu que ía ter com as editoras ,    “ Vocês já têm este álbum dos Fear Factory ? Isto é um som do caraças !”.  A resposta era sempre a mesma : “ Ó Freitas lá estás tú com as tuas coisas , a gente nem conhece isso…”.   Sempre foi assim percebes ? Era raro as editoras virem ter comigo . Mas tens aí aquela malta que pensa que é muito esperta e percebe muito das coisas: “ O gajo é um vendido, as editoras e o caraças… “.  Isso é o espírito mesquinho muito próprio português,  que também existe no estrangeiro, devo confessar.
A única liberdade que não tive foi nos horários…

A  chegada à televisão era inevitável e começou , creio eu, na SIC Radical...

Não sei se era inevitável, mas nessa altura já havia a curiosidade de  poder fazer um programa onde se mostrasse basicamente videoclips e se divulgasse as bandas.  A aventura deu-se , por acaso,  com alguma coisa que vinha a ouvir no carro agora mesmo : Slipknot.
Na Energia comecei a escrever para o Blitz. Tinha  lá as minhas entrevistas e aí realizei  uma ideia que tinha quando comecei a trabalhar na rádio que era poder entrevistar os artistas que faziam música. Uma  das coisas que me irritava solenemente,  era  ler revistas e jornais onde  tinhas criticas de um senhor qualquer   : “Isto é muito barulho, o Bon Scott tem uma voz de cana rachada,  blá, blá,  blá… “. Nunca ouvias a palavra dos próprios autores o que me deixava bastante frustrado. Uma coisa que eu consegui realizar graças ao poder  de estar associado  à rádio foi ter uma entrevista por semana num jornal como o Blitz. A partir daí as pessoas começaram a ter a noção do que é que eu fazia e surgiu um convite para ir ao Curto Circuito da SIC Radical ,  entrevistar,  precisamente,  os Slipknot.  Eles estavam assustadíssimos com a ideia de terem  lá aqueles  mascarados. Naquela altura a  imagem era  de facto intrigante para muita gente.

Depois deste episódio com os Slipknot surgiu mesmo um programa a sério… 


Essa aventura dos Slipknot foi o início. A  partir daí eles ficaram fascinados  pelo facto de eu estar à  vontade  a fazer as perguntas e a traduzir  quase em simultâneo.   E surgiu o convite : ” Ó Freitas que achas da ideia de vires cá uma vez por semana ?”.  A resposta só, podia ser uma : “Por mim,  à vontade…  vamos lá !”.  Após  algum tempo as pessoas começaram a sugerir que eu tivesse um magazine ,ou seja,   um programa à parte.
E  foi assim que, efectivamente,   acabou por surgir  o Hipertensão.

Depois tiveste uma colaboração com a revista  Loud. 

A Loud foi fundada  por mim. Primeiro,  abandonei o Blitz para  lançar a revista Riff que não correu muito bem porque  o dono não era assim muito a favor de gastar dinheiro e de pagar às pessoas .  As coisas acabaram por não funcionar.  Esse projeto acabou  e a mesma equipa fundou a Loud.   Era eu,  o José Rodrigues,  Nelson Santos  e o grandioso Emanuel Ferreira.  Ainda me lembro  de estar a dar o número  zero no espetáculo dos Korn  no Pavilhão  Atlântico. A  tirar as revistas do porta bagagens do meu carro para as oferecer. Foi  uma imagem brutal !



Os tempos mudaram, agora temos a  internet e basta  um clique  para a malta aceder  a tudo o que se vai fazendo. A rádio será engolida pelo sistema  ou terá o importante  papel de colocar alguma ordem na casa ?
Eu penso que na internet está tudo  misturado e torna-se difícil separar o trigo do joio…

Absolutamente, é precisamente essa a minha opinião
A imensidão da internet… aí é que está, os putos não conseguem, efectivamente,  saber tudo.
Eu, tal como tú,  já temos a experiência de termos acompanhado o nascimento de uma sonoridade , a evolução,  a derrocada,  o renascimento…   temos  a facilidade de encontrar o que é realmente  genuíno. 
A rádio continua a ser o fenómeno de comunicação mais imediato que tú podes ter. Atenção,   com as devidas distâncias,  porque se estás à espera da meia-noite para ouvir um programa,  obviamente,  hoje em dia, com a internet,  já conseguiste aceder a essa informação. De qualquer das formas,  a rádio será  sempre uma escola . Nos Estados Unidos   começaram a lançar novos grupos  em programas de televisão que tinham grande fama, deram várias voltas às coisas e , pelas próprias  palavras do influente produtor Rick Rubin, acabaram mais uma vez no sítio do costume, ou seja, na rádio… nos radio personalities. As pessoas identificam-se com o  Howard Stern, sabem o que é que ele gosta  e ouvem-no. Por aí , mais facilmente conseguem chegar às coisas. Por aqui o que é que eu posso oferecer ?  A minha experiência , o facto de ter já  conhecido muitos  artistas,  já topar alguns de ginjeira  e perceber quando é que eles estão a mentir ou a dizer verdade.  Percebes ?  Isso é coisa que na internet não consegues ter ,  muito menos as novas gerações,  porque  desta banda podem passar para aquela  e para a outra…

Como analisas o momento atual da cena metaleira  mundial  ? Por exemplo,  o caso da proliferação das Female Fronted  Bands.  Será apenas uma moda ou veio mesmo para ficar ?

Esse é  um movimento que já está em marcha e  não pode ser parado. É  como o Rock ‘n’Roll:  toda a gente dizia que   iria perder o interesse,  mas a verdade é que já existe desde o final dos anos 60 , proliferou  e continua por aí . Até mesmo quando andaram  a declarar que  o Punk estava  morto.  Não está nada morto ! Tú vais ter as novas gerações que ficam fascinadas  por uma banda que ouvem…   vão querer imitar e depois  ganham a sua própria personalidade.   O efeito é perpétuo. O fenómeno das Female Fronted  Bands surgiu com uma onda mais  gótica com o sucesso dos Nightwish e  Within Temptation . Por aí se começa a evoluír.  Depois tens  case studies como o caso dos Arch Enemy,  que têm uma senhora a vociferar e com uma  voz mais ameaçadora  que muitos homens que andam por aí em  certas bandas .


Com toda  bagagem que adquiriste ao longo do tempo,  será que ainda existem bandas que te chamem a atenção ? 
Cada vez que encontro o meu amigo Billy Gould dos Faith No More  digo-lhe  sempre  “Já está tudo inventado man “ ele fica logo irritado “ Não está nada , não sejas assim,  é mentira,   há milhões de combinações de acordes e não sei quê”, eu respondo “ Não me lixes,   diz-me lá uma coisa nova que tenha aparecido” e  o gajo cala-se…   estamos sempre nessa conversa . Sou apologista de que,  realmente,   é cada vez mais difícil construíres uma personalidade . É  isso que eu digo às bandas que entrevisto  : “Vocês têm que ser vocês mesmos,  têm que ter um vocalista que se distinga  e que não seja igual a todos os  outros que já existem. Têm que  fazer qualquer coisa com o vosso cunho”.   Isso leva tempo , obviamente é necessário  evoluír para chegar a esse estado.
Sinceramente há algumas bandas que até me impressionam, por exemplo,   tens muitos talentos novos e  bastante  interessantes a surgir na onda do Metal Progressivo. São bandas que fazem um álbum  muito interessante e ficam  por ali,  não te surpreendem muto mais. Eu sou um gajo que não  estou naquela onda , “ Eu já sei tudo, ninguém me consegue impressionar”, não man, eu passo horas e horas à frente do computador a  descobrir musica,  a ouvir música e quero sentir-me arrebatado,  percebes ?  Vejo coisas bem feitinhas dentro de uma certa onda  e percebo,  “ isto tem influencias  dos Arch Enemy com um cruzamento de Trivium e uma pitada de Metallica,  pronto, ok,  mas vamos lá ver  o que esta banda vai dar”.
Ainda recentemente,  a Roadrunner tentou impingir a ideia de uma banda que são os King 810.  Os gajos dizem “ aqui estão  os novos Slipknot” , tú ouves  e…  pronto, o  vocalista é  meio marado do juízo mas aquilo é quase uma cópia dos American Head Charge  que surgiram  nos anos 90,  gravaram  um álbum que eu gosto muito,  mas depois ficaram no nada.  A última banda que eu achei interessante  foram os Five Finger Death Punch. É numa  onda Pantera , têm aquela  garra porreira, sabem fazer cenas com ritmo e o vocalista também é um grande marado. 

 Outra banda que eu me orgulho imenso de ter estreado em Portugal  foram  os System  Of A Down.  Nunca se ouviu um som daqueles. Aquilo é uma mistura de Frank Zappa com influências arménias  e Metal…  sei lá, aquilo é uma coisa poderosíssima.  Estou sempre à espera  que apareça  qualquer coisa dentro desses moldes e que  arrebate uma pessoa . Agora tens putos com 17 anos a tocar guitarra como o Steve Vai .  São muito bons executantes e parecem  máquinas a debitar e a fazer shredding . Mas depois falta o feeling, falta a personalidade. Ouves aquilo e dizes  : “ Isto em termos matemáticos é muito bom mas… não há carne, não há sumo”.

TUDO BONS RAPAZES : Álvaro Costa, Miguel Quintão e…

Esta é a famosa  foto que  fez  imenso furor  nas redes sociais.
 Pronto,  se calhar não fez tanto furor assim… eu  é que tenho uma tendência doentia para empolar um pouco as coisas .  Adiante…  a história conta-se em poucas  palavras.
Era uma vez um puto  aventureiro que,  numa das suas  arrojadas peregrinações  pelo espantoso  mundo do Metal, deu de caras com  dois ilustres lusitanos : Álvaro Costa e Miguel Quintão. 
Como seria de esperar, houve logo  festa à portuguesa !
Na altura, vaticinamos  que  esta foto iria dar muito que falar !
Grandes profetas ! O tempo voou   e  cá estamos nós a tentar adivinhar  onde tudo isto  aconteceu .
Enviei  a foto para o mestre Álvaro Costa que tratou logo de inventar um concurso para decifrar o mistério.  A coisa esteve difícil, mas a maioria do pessoal acertou ou andou lá perto.
Aqui está a prova do “crime” !
Há milhões de  anos atrás,  eu e um grande amigo  metemo-nos no meu Fiat Tipo e “zarpamos”  a todo o gás em direção a Barcelona para o lendário  Monsters Of Rock .

 O elenco  era de fazer crescer água na boca : AC/DC, Metallica e Queensryche ! 


METALLICA em 1991
Por incrível que pareça, foi a banda de menor cartaz que nos  fez  embarcar nesta gloriosa aventura.  Infelizmente,  já nas imediações do Estádio Olímpico,  recebemos    a triste notícia que os  Queensryche  tinham  cancelado o concerto à ultima da hora, tendo sido substituídos à pressa pelos Tesla.   O choque foi brutal mas o ambiente era de tal forma eletrizante que nem houve tempo para grandes lamentações.  Levantamos a cabeça e mergulhamos de corpo e alma naquela atmosfera infernal que tomou conta  da “Montanha dos Judeus “ .

Conclusión :  fue una cuchipanda de clamar a los cielos  !!!!!

AC/DC em 1991

AS SETE VIDAS DE JOSÉ SÓCRATES


Dá para acreditar ? Por favor,  acordem-me !  O Sócrates outra vez ? Este país bateu mesmo no fundo.
Nesta fase,  as más notícias surgem em catadupa mas, sinceramente , não estava à espera de semelhante catástrofe.  Isto é demasiado mórbido  para ser verdade.
É preciso ter um estômago de ferro e um ego super inchado para ter a ousadia de pensar que a malta ainda tem pachorra para  aturar todo  aquele teatro de 3ª. categoria. 
Mas, pensando melhor, será que existe mesmo gente disposta a perder tempo com este artista ?
De repente,  surgiu-me uma  ideia estapafúrdia. Será que José Sócrates , sendo o chico-esperto que sabemos, analisou as características muito peculiares do nosso povinho e concluiu  que continua a ser o maior e , conseguirá , sem grande esforço, alcançar a suprema  proeza de chegar à  Presidência da República ? 
Uma coisa é certa,  as mesmas pessoas  que andam  nas manifestações  a cantar desenfreadamente  o “ Grândola Vila Morena “  assistem impávidas  e serenas  aos milhares de comentadores que continuam a espalhar a sua  "sabedoria”  apesar de terem ajudado à festa do descalabro . Paremos um bocadinho para pensar : se Santana Lopes, Santos Silva , Pina Moura, Catroga, Teixeira dos Santos, Miguel Beleza, Bagão Félix e tantos outros, continuam a ter liberdade total para abrir a boca , qual é o problema de juntar mais um “ iluminado“  a esta fabulosa trupe de mentes brilhantes ?  Isto está tudo minado, nem sequer jornalistas temos de jeito. De facto, ao contrário de desmascarar e abafar as vozes de toda esta gente, a nossa classe jornalística assiste de forma apática e subserviente a todo este vergonhoso desfile de génios de sarjeta .
Não sei se a culpa foi dos visigodos ou dos celtiberos, a verdade é que temos um enorme problema genético para resolver.
Fiquemos com algumas das pérolas que marcaram o percurso glorioso de um dos maiores governantes que o mundo já conheceu.
BOCAS FOLEIRAS DO ARTISTA
«Não se pode gerir um país com base no medo. O medo é mau conselheiro»

«O mundo mudou em três semanas e eu tenho a obrigação de governar atento às mudanças na realidade»

"O Governo português, Portugal não vai pedir nenhuma ajuda financeira, nenhuma assistência financeira, pela simples razão que não é necessário."

"Entre nós e o FMI há 10 milhões de portugueses."

"Eu não quero passar por aquilo que estão a passar os gregos e irlandeses!

"O Governo decidiu dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira."

“Há campanhas que podem ser poesia, mas governar é uma prosa"


"Para além disso, o Magalhães , foi pensado para as crianças e por isso é resistente ao choque. O Presidente Hugo Chávez já o atirou ao chão e não o conseguiu partir "

«Portugal vai ser o primeiro país no Mundo onde todas as crianças dos seis aos dez anos têm um computador pessoal»

“Manso é a tua tia, pá "

"Porreiro pá, porreiro pá!"


O ARTISTA NAS BOCAS DO MUNDO

"Eu não acredito que Luís Figo se tenha levantado um dia de manhã e decidido, numa atitude cívica, apoiar José Sócrates. Por isso, considerei pornográfico o valor [750 mil euros exigidos pelo jogador] e avisei que aquilo poderia dar asneira. E deu."

Paulo Penedos


“O ex-primeiro-ministro José Sócrates pressionou as Estradas de Portugal (EP) para continuar a fazer obras, apesar da crise financeira. “
Correio da Manhã

“O presidente da SIDES, entidade que gere a Universidade Independente, afirmou esta quarta-feira que José Sócrates concluiu a sua licenciatura num domingo.”
TSF

“O processo de licenciatura do primeiro-ministro, José Sócrates, na universidade  independente começa a levantar dúvidas  em 2005 : há documentos por assinar e carimbar, datas confusas, contradições  nas notas, professores repetidos.”
ionline


“José Sócrates exigiu 500 mil contos para licenciar o Freeport. A declaração foi feita hoje, no Tribunal do Barreiro, por Augusto Ferreira do Amaral, testemunha do processo.”
Renascença

“Sócrates acusado de pressionar juízes do Tribunal Constitucional”
Jornal de Notícias


“Mãe de Sócrates comprou a pronto apartamento a “offshore” e declarou menos de 250 euros.”
Público

“Recorde-se que, em 2005, constava do processo Freeport uma lista com cerca de 15 suspeitos. O nome da mãe de José Sócrates estava entre estes. “
Correio da Manhã

“É mais uma história de sucesso do Programa Novas Oportunidades. Pedro Póvoa, atleta de Taekwondo, vai entrar em Medicina sem nunca ter posto os pés numa escola secundária.”
ProfBlog
“Já se sabia que o Nova Oportunidades está a dar diplomas do ensino secundário à velocidade da luz. Ficamos agora a saber que há quem veja nele o caminho mais curto para ser médico. Já tinhamos engenheiros civis sem Matemática e Física do secundário, economistas sem Matemática e linguistas sem Latim. Agora passamos a ter médicos que tiraram o 12º ano em 6 meses. Estudar Biologia? Para quê? Química? Não é preciso! Matemática? É chato!”
ProfBlog

José Sócrates geriu a crise de forma aterradora.  Não se pode dirigir uma união monetária com pessoas como o sr. Sócrates
Wolfgang Münchau ( Financial Times )

"Se soubesse como o país ia ficar, não fazia a Revolução."
Otelo Saraiva de Carvalho

"Não há exemplo de alguém ter feito tanta coisa tão mal feita em tão pouco tempo. José Sócrates vai para o Guinness."
Belmiro de Azevedo

“Só quero referir que tudo o que está expresso aí p’ra cima não é da minha responsabilidade. Trata-se apenas de  fragmentos de  notícias de jornais.”  
Sebastian  ( Pânico, Suor e Lágrimas )

“O deserto de ideias  é de tal magnitude que nem os jornalistas têm tomates para  apontar o dedo e combater  a inevitável  decapitação do país. Pelo contrário, ao darem guarida a estes pensadores de esgoto , acabam por ser cúmplices da rebaldaria geral”
Pestilence  ( Pânico, Suor e Lágrimas )

“Mais palavras para quê ? Só me resta  recuperar um vídeo que já tens uns tempos mas que continua sempre atual. A  trágica história continua a repetir-se desde os tempos do infeliz  D.Afonso Henriques que após tanta pancadaria acabou  por criar, involuntariamente,  um país de marretas . “
Skulder ( canal Skulder4, Youtube )

José Sócrates , muito bem acompanhado …




Ronnie James Dio : IMORTAL !


É isso mesmo : até os IMORTAIS desaparecem ! A grande vantagem é que só desaparecem fisicamente, porque a sua luz continuará a iluminar todos aqueles que, de uma forma ou de outra, tiveram o grande privilégio de terem sido " tocados " pela sua imensa genialidade ! Eu tive a grande honra de assistir ao vivo a toda a sua magia numa fantástica noite no extinto Hard Club em Gaia .
LONG LIVE THE WIZARD !!!!!!!!!!!!!

ANTÓNIO SÉRGIO, REST IN PEACE, MY FRIEND !




Na sequência do trágico desaparecimento do locutor ANTÓNIO SÉRGIO, não podia deixar de prestar uma pequena homenagem a essa enorme figura da rádio, que tanto fez pela divulgação das novas tendências musicais que emergiam lá por fora, numa época em que a internet era apenas uma miragem.
A sua visão de futuro, o seu estilo inovador e carismático sempre atraíram uma enorme legião de seguidores ávidos de novas descobertas no mundo da música moderna. Os seus programas eram portas que se abriam para um mundo de sonoridades vanguardistas que nos eram magistralmente apresentadas por uma voz imponente que praticamente nos deixava hipnotizados.
Que programas eram esses ? Entre outros…. “ Rolls Rock “ , “ Som da Frente “ e, para mim, o maior de todos : “LANÇA CHAMAS “ !
Adorava o “ Lança Chamas “ ! Naqueles sábados à tarde, eu e milhares de portugas, aprendemos a gostar de AC/DC, Metallica, Black Sabbath, Dio, e por aí fora ……
Nunca me esquecerei daquela estrondosa introdução : LANÇA CHAMAS… AS SETE VIDAS DO HEAVY METAL !!
Mais tarde , com a minha vozinha esganiçada, fiz uma cópia rasca na Rádio Voz de Esmoriz : CORTINA DE FERRO…. O SOM MARGINAL !

ANTÓNIO SÉRGIO , REST IN PEACE, MY FRIEND !!!!!!

J.Pestilence

António Sérgio deu-nos a conhecer os grandes pioneiros do Trash Metal : Metallica