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R.I.P. DAVID LYNCH - MULHOLLAND DRIVE – DUAS FACES DA MESMA LOUCURA! (Publicação de 2013)



David Lynch é um realizador com os pés bem assentes no chão, mas com a cabeça sempre a viajar por galáxias distantes. Não será por acaso que deixa um rasto de destruição sempre que lança cá para fora mais uma das suas grandiosas excentricidades.

Será que o pessoal já se esqueceu da série Twin Peaks, que pôs meio mundo com os neurónios colados ao teto a tentar descobrir o assassino de Laura Palmer? E, se calhar, tudo isso para nada, porque a rapariga ainda deve andar por aí. Tal como o Elvis e o Jim Morrison. Já agora, o Kurt Cobain, o Jimi Hendrix e o Michael Jackson. Andam todos por aí, cantando e rindo às nossas custas. Peço desculpa, mas ainda estou meio influenciado pelo filme que acabei de rever e já nem digo coisa com coisa.

Meus amigos, Mulholland Drive ultrapassou todos os limites. David Lynch é cruel e vai gozando, descaradamente, com a nossa cara. A história é super enigmática e, para quem ainda não teve a coragem de a abordar, deixo aqui um ligeiro cheirinho para aguçar o apetite dos meus camaradas “psico-masoquistas” que, tal como eu, adoram torturar os seus indefesos cérebros.

Tudo começa quando Betty chega a Los Angeles com o sonho de se tornar numa grande atriz e conhece acidentalmente Camilla, que está meia esgazeada devido a um aparatoso acidente numa curva em Mulholland Drive.

Mas assim seria fácil demais. Vou reformular o parágrafo anterior. Aqui vai um flashback:

Tudo começa quando a canadiana Diane chega a Los Angeles com o sonho de se tornar numa atriz famosa e conhece por acaso Rita, que está num estado lastimável após ter sofrido um grave acidente em Mulholland Drive. Afinal, quem é que chega a Los Angeles? Betty ou Diane?

Deu para entender a complexidade da coisa? Mas isto são “peanuts” se compararmos com a imensidão de perplexidades que nos vão surgindo pela frente. O momento zero de todas estas anormalidades surge no fatídico instante em que Diane adormece. Temos de estar emocionalmente bem preparados para não darmos trabalho aos nossos familiares. Acreditem, isto é só um aviso! O ambiente descarrila a sério e torna-se assustadoramente sombrio, culminando numa série de incongruências, delinquências e extravagâncias que nos deixam completamente apáticos e sem a mínima capacidade de reação.

Todos sabemos que a arte e a loucura andam muitas vezes de mãos dadas, mas, quando chegamos ao misterioso Clube Silêncio, ficamos com a estranha sensação de que David Lynch só podia andar a fumar alguma erva rara que o pôs completamente desvairado. O mais grave é ele pensar que a melhor forma de transmitir o seu desnorte é fazer o espetador partilhar as suas alucinações.

Rebekah Del Rio, com aquela sobrenatural interpretação do tema Crying, de Roy Orbison, deixa qualquer um em estado de choque. Betty e Rita não resistiram e foram-se abaixo de forma arrepiante. Verdade seja dita, nem a Ágata, nos seus melhores dias, conseguiria uma performance tão poderosa.


Enfim, talvez seja melhor ficar por aqui. Quem pensa que pode acabar de ver o filme e sair tranquilamente para tomar um cafezinho pode tirar o cavalinho da chuva. Mulholland Drive é uma assombração que vos irá perseguir durante uns tempos. O universo “Lynchiano” está infestado de perigosas armadilhas e não pode ser enfrentado de peito aberto. Eu armei-me em esperto e acabei por pagar bem caro a ousadia.

Andei uma temporada a viver numa espécie de campo metafísico, situado algures entre a realidade e o sonho. O medo tomou conta de mim. O simples gesto de ligar a televisão era suficiente para apanhar cada cagaço que nem é bom pensar. No início, aparecia-me a Teresa Guilherme aos berros e, outras vezes, a Júlia Pinheiro a relinchar. Depois era aquela aberração chamada Manuel Luís Goucha com umas vestimentas super reluzentes e a sua amiga a guinchar. Um verdadeiro pesadelo.



   
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TOP 10 - FILMES EM LISTA DE ESPERA

Acabou.  Hoje foi  mesmo a minha última noite de férias . Cheguei ao fim da linha.
O verão eclipsou-se !
O calor até pode apertar mas … setembro será sempre um mês cinzento.
Começa tudo outra vez.
A partir deste fatídico mês temos de ser muito fortes para aguentar as habituais desgraças desportivas , económicas e  políticas.  Não é preciso ir mais longe : em termos desportivos já fomos presenteados com uma enorme alegria : PORTUGAL 0-1 ALBÂNIA .
A  coisa promete …
Estou um bocadinho triste, mas eu sei que todas as estações do ano têm o seu encanto. 
 A partir de agora , o cinema ocupará  um lugar de grande destaque .
Agora já terei tempo para  pôr em dia a minha exigente(?)  lista de filmes a serem devorados e dissecados até ao mais ínfimo pormenor. Eu sei que esta lista vai provocar algumas gargalhadas, mas eu sou um caso sério nesta matéria. Para mim não interessa a antiguidade ou atualidade do filme.   O processo é simples : vou apontando os filmes que me despertam  a atenção e  depois as obras  ficam a “marinar” até eu estar mental e/ou fisicamente  disponível.
Aqui estão eles  …
TOP 10 - FILMES EM LISTA DE ESPERA


1 - PRECISAMOS DE FALAR SOBRE KEVIN 

2 – EFEITOS SECUNDÁRIOS  - Side Effects

3 - Millennium 1 - Os Homens Que Odeiam As Mulheres - The Girl With The Dragon Tattoo

 

4 - A Advogada - Conviction

5 – MANDELA – LONGO CAMINHO PARA A LIBERDADE - Mandela: Long Walk to Freedom

6 – MELANCOLIA - Melancholia

7 – PARANOIA – Paranoia

8 – A Vida de Adèle - La Vie d’Adèle

9 – BLUE JASMINE

10- PARA ROMA COM AMOR – To Rome With Love

DONNIE DARKO – COELHO NA CARTOLA

Existem filmes que apesar de nos colocarem à beira de um ataque de nervos, pelo menos, deixam alguma margem de manobra para esboçarmos as nossas teorias e interpretações, por mais rebuscadas que sejam.
Em Donnie Darko isso é impossível. Não há ponta por onde se pegue.
Sinceramente, não deve existir pessoa no mundo que, no seu estado normal de consciência, consiga elaborar uma tese credível sobre este demente quebra-cabeças cinematográfico. Eu já experimentei um bocadinho de tudo para tentar descodificar a mensagem: hipnose, ioga, surf, futsal, meditação transcendental e vinho tinto. Já em desespero, cheguei a tentar os famosos cogumelos psicadélicos e...  nada !
O enredo anda à volta do problemático adolescente Donnie que, aparentemente, tem um parafuso a menos. O rapazito é super turbulento e anda sempre a armar confusão. Mas vocês não sabem da melhor: o grande amigo dele é um coelho gigante! Mas esperem aí, o coelho, além de ser coelho, também é bruxo! Foda-se…Não é que este roedor futurista, ou alguém disfarçado, salvou o nosso amigo de levar com o motor dum airbus nas ventas? Verdade! Isto não fica por aqui: prognosticou que o fim do mundo aconteceria dentro de 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos. Isto é demais!
O grande profeta Nostradamos, comparado com este coelho, é uma lebrezinha com graves problemas de coluna!
Não terá sido por acaso que esta aparente obra do ” acaso “ foi um fracasso de bilheteira. A verdade é que este género de filmes parecem inofensivos, mas, com o passar dos anos, transformam-se em verdadeiras peças de culto.
Uma coisa é certa, para Jake Gyllenhaal que personifica o enigmático Donnie, este foi, sem dúvida, uma rampa de lançamento para as grandes aventuras que se seguiram.




Os entendidos na matéria desdobram-se em complicadas e delirantes interpretações. Eu já ouvi falar de tudo. Alguns especialistas chegaram a afirmar que Donnie conseguiu ultrapassar o misterioso buraco de minhoca que nos permite viajar no tempo. Nada mais apropriado: minhocas na cabeça e pulgas atrás da orelha é o desfecho mais que previsível para todos aqueles que tiverem a coragem de enfrentar estes 120 minutos de pura esquizofrenia .
Boa Sorte!




O Maquinista – Não é da CP e não faz greve

Basta uma noite mal dormida para no dia seguinte andarmos com umas olheiras descomunais e com uma vontade louca de apertar o pescoço a alguém. Que tal um ano inteiro sem dormir ? Quem são os nossos amigos ? Quem nos anda a tramar ? É precisamente o caso de Trevor Reznik. O homem, sem se saber porquê, começa a definhar de dia para dia e a passar por situações que nem ao diabo lembra.
Os estranhos acontecimentos vão surgindo de forma avulsa, aparentemente sem qualquer tipo de ligação.
No meio da confusão, somos presenteados com o estranho Ivan que só Reznik consegue ver , com um insólito acidente de trabalho que resulta num maneta, com uma cozinha a abarrotar de mensagens sinistras , com um congelador cheio de peixe , com um relógio sempre nas 1.30 , com um misterioso carro vermelho, com …

Apesar de todo este caos e já com o meu frágil cérebro completamente derretido, não desisti e tentei manter a lucidez em busca de algo a que me pudesse agarrar. Valeu a pena o esforço já que no final do filme são feitas algumas revelações surpreendentes que minimizam os estragos e lançam alguma luz sobre esta sombria e paranóica peça cinematográfica..
Um aplauso muito especial para o esquelético Christian Bale que andou a comer maçãs durante uns tempos para abater 28 Kg de forma a dar corpo (?) a esta problemática personagem. Desgraçadamente, o outro é que levou o Óscar para casa .



CLUBE DE COMBATE ( Fight Club ) : ABAIXO O CAPITALISMO !

O Pestilence picou-me e agora ninguém me atura. Aqui estou eu a apresentar mais um dos meus pesadelos.
Jack (Edward Norton) apesar de ter uma vida confortável, sofre de perturbações de sono e leva uma vida monótona.
Até aqui nada de especial. Estes são problemas comuns a uma boa parte da população e são relativamente fáceis de resolver. Para tratar das incómodas insónias, existem duas saídas que são tiro e queda: empanturrarmo-nos de Xanax ou assistir a filmes do Manoel de Oliveira.

Para combater a pasmaceira, temos que sair de casa, beber uns copos com os amigos, assistir aos jogos do Benfica ou ir a um concerto do Tony Carreira.

Jack optou por uma via completamente diferente e bizarra: frequentar reuniões de pessoas que sofrem das mais diversas patologias que vão desde os problemas gastro-intestinais até às disfunções do aparelho respiratório .

Num desses encontros, podemos encontrá-lo a abraçar, comovidamente, o mítico roqueiro Meat Loaf que, devido a uma enfermidade testicular, exibe umas “prateleiras “ de fazer inveja à celebridade Ana Malhoa. Esta será, sem dúvida, uma das cenas mais comoventes da história do cinema. Mas foi a partir do seu encontro com o vendedor de sabonetes anti-capitalista, Tyler (Brad Pitt ) que as coisas descambaram a sério.
Os dois amigos, fundaram uma nova religião – Clube de Combate - onde os decididos e valentes fiéis se reúnem numa cave escura e húmida com o nobre objetivo de mudar o mundo e… levar uma valente tareia.
Meus amigos, aquilo é porrada de meia-noite. Sinceramente, não sei como se pode mudar o mundo desta forma mas  o David Fincher lá terá as suas razões .


Perante tamanha pancadaria, decidi entrar na batalha e fui à luta com quantas forças tinha para tentar decifrar as mensagens subliminares que estariam por detrás de tanta cacetada .
A parte final é de tal forma alucinante e imprevisível que arruma qualquer um, por mais preparado que esteja. Ainda assim, mesmo a cambalear, lá fui resistindo, mas aquele súbito e fugaz grande plano da parte anatómica masculina mais sensível acabou de vez comigo.


Por favor, a que propósito é que aquela “coisa“ aparece? Terá alguma relevância na história? Será a   “arma secreta” do Brad Pitt?
Como seria de esperar, acabei estendido ao comprido...

Sebastian






















MEMENTO : Memória Curta


Nem sei o que dizer. Já vi o filme duas vezes e ainda não encontrei uma explicação convincente que me deixe verdadeiramente aliviado.
O enredo até parece simples, só que o realizador utiliza uma narrativa original e traiçoeira, que baralha o espetador, levando-o a ficar com lapsos de memória que é, precisamente, o mal de que padece Leonard, após ter assistido à morte violenta da sua esposa dentro da sua própria casa. Vou tentar explicar o inexplicável. A história é apresentada de trás para a frente, isto é, começa no final e acaba no início. Para complicar, as cenas a preto e branco, que seguem o rumo normal dos acontecimentos, são intercaladas com cenas a cores, que andam às avessas. Para complicar ainda mais, as cenas a cores terminam onde a antecessora começou. Confusos? Eu já estou com tonturas só de estar a escrever sobre isto.


Depois do ataque, Leonard perdeu a capacidade de armazenar memórias recentes, ou seja, consegue lembrar-se de tudo antes do acidente, mas é incapaz de dizer se comeu bacalhau à brás ou tripas ao almoço. Para contornar essa falha, vai tatuando no seu corpo mensagens e pistas que o ajudem a encontrar o(s) assassino(s) da sua amada. Quase vindo do espaço, aparece o ex-detetive Teddy, que participa de forma estranhamente empenhada na investigação. Para ajudar à festa, surge Natalie que parece ter algum interesse em atrofiar ainda mais os neurónios de Leonard.


O caricato de toda esta situação é que, apesar da nossa amnésia e de todos estes avanços e recuos , no final, acabamos por ter um momento de revelação e alívio. Onde está a complicação? Afinal, o assassino foi assassinado !
Esta foi boa: o assassino... assassinado! Acho que já estou a ficar meio esgazeado. Ok, o que eu queria dizer é que se fez justiça e não se fala mais nisso.
Ironicamente, é a partir daqui que começa o tormento. Passados 30 segundos, a nossa mente é assaltada por imagens e pormenores aparentemente insignificantes que nos transportam para outros caminhos e, foda-se... volta tudo à estaca zero. Será que a esposa de Leonard morreu mesmo? Teddy é um amigo ou apenas quer desviar as atenções? Natalie quer dar umas cambalhotas ou aproveitar-se da fraca memória de Leonard? Quem é o verdadeiro John G.? Haverá vida em Marte ? O Sporting vai ser campeão?
São questões a mais por resolver. Penso que até o próprio Christopher Nolan foi ultrapassado pelos acontecimentos e já nem sabe muito bem o que aconteceu! Simplesmente... GENIAL!!




TOP 10 – FILMES QUE DERAM CABO DO MEU FRÁGIL MIOLINHO


A secção deste blogue destinada ao tema Cinema ficou marcada pela primeira e última intervenção do outrora promissor crítico cinematográfico Zé da Naifa . Aquela longa e cansativa abordagem ao filme “ Ensaio sobre a Cegueira “ no longínquo mês de Outubro de 2009, acabou por condenar uma carreira que prometia altos voos.

A vida é mesmo assim, enquanto uns caem em desgraça, outros sobem as escadas do sucesso . Como um blogue sem Cinema é como um estádio sem águia, mudei de estratégia e decidi assumir o controle da situação. É por demais evidente que o pessoal começa a ficar farto daquelas monótonas críticas intelectuais recheadas de tiradas profundas onde, invariavelmente, se fala da “ condição humana “ ou da “ visão de uma sociedade decadente” . Aqui tudo será simples e directo.

Já que o meu amigo Pestilence tem a mania dos Tops, vou seguir as suas pisadas e inundar esta secção com uma imensidão de listas que abarcarão todos os estilos cinematográficos, destacando, claro está, as obras que mais mexeram comigo ao longo dos tempos. Vou iniciar esta segunda etapa dedicando uma especial atenção aos filmes que, pelas suas características especiais , não estão ao alcance do comum dos mortais. Estou a falar de um segmento muito específico da sétima arte, destinado apenas aos cinéfilos de mente aberta e com elevados poderes de concentração e raciocínio.

Infelizmente não é o meu caso. No entanto, como sou aventureiro, gosto de arriscar, mesmo que, por vezes, saia bastante maltratado dessas incursões por areias demasiado movediças para a minha camioneta. Sou aventureiro mas não sou tolo e, como seria de esperar, tomo algumas precauções de forma a evitar que as amolgadelas cerebrais sejam irreversíveis. Ir a uma sala de cinema está fora de questão devido aos altos factores de desconcentração.

Não sei porquê, mas basta um bocejo, um espirro, um simples flato ou até mesmo um ligeiríssimo odor a chulé para me deixar fora de jogo. Perco logo o fio à meada e nunca mais consigo entrar no enredo em tempo útil. O cenário ideal será , pois , a minha querida salinha de estar mas … sempre acompanhado por um frasquinho de “ Cerebrum Forte “ . Aqui fica o meu Top 10 e voltarei mais tarde para uma apreciação mais pormenorizada , realçando a forma como fui molestado por cada um destes trituradores de massa cinzenta .


TOP 10 - FILMES QUE ME QUEIMARAM OS FUSÍVEIS


1- MEMENTO
2 - O MAQUINISTA
3 - CLUBE DE COMBATE
4 - DONNIE DARKO
5 - MAGNÓLIA
6 - O DESPERTAR DA MENTE
7 - STAY
8 - A ORIGEM
9 - ESTRADA PERDIDA
10 - MULHOLLAND DRIVE
Aviso importante : este texto, apesar de poder conter alguns deslizes ortográficos e de pontuação, foi escrito dentro do espírito de grande confusão que reina no país e nos bastidores do acordo ortográfico.