Dizem que a “estridente” Cristina Ferreira está a fazer um diário de bordo das suas férias.
Aproveitei essa fabulosa ideia para, nestas férias, fazer um diário musical das principais bandas que me acompanharam ao longo do tempo.
Sou tão inteligente! Modéstia à parte será com certeza um diário bem mais interessante. Digamos que vou fazer uma espécie de flashback do meu percurso pelos caminhos turbulentos do Heavy Metal.
O metal apareceu-me pela primeira vez através destes “malditos” AC/DC…
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KAMELOT : ROY KHAN vs. TOMMY KAREVIK
Imaginem os Whitesnake sem o Coverdale, Metallica sem o Hetfield ou os AC/DC sem o
Brian Johnson… ok, tudo bem, o Axl Rose
até cumpriu, mas não é a mesma coisa.
Roy Khan era a carismática voz que transportava os Kamelot às costas.
É muito difícil de encaixar o que leva um génio deste calibre, que tinha o
mundo a seus pés, a mandar tudo pelos ares, para se dedicar de corpo e alma ao… sacerdócio.
Por favor, ninguém estava preparado para enfrentar um terramoto desta magnitude.
Após a deserção do catedrático Roy Khan,
o mundo do Power Prog Metal entrou numa depressão profunda.Será que os Kamelot
iriam sobreviver? Quem seria a pessoa ideal para substituír o insubstituível?
As casas de apostas estavam ao rubro. O primeiro nome a andar nas bocas do mundo foi ,
Fabio Lione, dos Rhapsody of Fire.
Após um período de grande incerteza ,
surgiu, finalmente, o abençoado salvador
da pátria : Tommy Karevik.
Não é que eu
queira estar aqui a armar-me em chico-esperto, mas esta escolha não me deixou com boca aberta de espanto. Sinceramente, alguém devia ganhar o Prémio Nobel da Paz… Metaleira!
A bolha estava prestes a explodir , e esta notícia veio acalmar os ânimos dos exaltados fãs dos Kamelot . Não fiquei estarrecido com esta opção, porque eu já admirava aquela voz super competente , que colocava os Seventh Wonder numa curva ascendente dentro do metal progressivo mundial. Mas agora o que interessa mesmo é comprovar, ao vivo e a cores, as enormes enormes capacidades destes monstros sagrados do Power Prog Metal .
Se tudo correr como o previsto, não faltarei à chamada.
A bolha estava prestes a explodir , e esta notícia veio acalmar os ânimos dos exaltados fãs dos Kamelot . Não fiquei estarrecido com esta opção, porque eu já admirava aquela voz super competente , que colocava os Seventh Wonder numa curva ascendente dentro do metal progressivo mundial. Mas agora o que interessa mesmo é comprovar, ao vivo e a cores, as enormes enormes capacidades destes monstros sagrados do Power Prog Metal .
Se tudo correr como o previsto, não faltarei à chamada.
EVERGREY: THE STORM WITHIN
Acho que todos
temos bem guardadinhas num armário todas
aquelas bandas que nos acompanharam ao longo dos tempos. Nada a fazer, agora até já parecia um senhor de 90 anos a
relatar as suas memórias. Vou refazer o
parágrafo anterior. É assim: por muita
música que tenhamos ouvido ao longo da vida, existem sempre aquelas que nos ficaram mais presentes no ouvido e na memória. Pronto, acho que agora expliquei a coisa como
manda a sapatilha.
No meu excêntrico ranking musical, as bandas são contabilizadas pela quantidade
de temas que me arrebataram por completo. Como exemplo, posso falar dos Pain Of Salvation que “fabricaram
“ o genial, Iter Impius, mas o restante reportório nunca atingiu esse patamar de excelência.
Seguindo este
raciocínio , acho que não andarei muito longe da verdade se afirmar que, depois dos longínquos tempos dos Queensryche,
só existiu uma banda que atingiu essa posição
de relevo no meu super congestionado armário.
Isto é incrível! Estes
tipos fazem-me a vida negra . Ainda estava a recuperar do impacto do fabuloso Hymns For The Broken e , pela
amostra, já estou com mais uma
obra-prima à perna!
MOONSPELL- O FEITIÇO DA LUA!
Como já devem ter reparado, eu sou um renomado especialista
e grande estudioso destas matérias da
música e zonas limítrofes.
Infelizmente, em termos práticos,
sou um zero à esquerda. Eu bem tentei aprender a tocar guitarra, mas o meu temperamento algo instável deitou
tudo por terra: à mínima nota em falso,
o instrumento era imediatamente estilhaçado contra a parede.
Em contrapartida,
tenho um bom ouvido. Já sei que o pessoal extra Metal deve estar agarrado à barriga a contorcer-se
com tanta gargalhada. Eu sou forte
e não vou ligar a essas provocações.
Hoje, apetece-me prestar uma pequena homenagem a uma banda que ocupa um lugar de destaque no meu rigoroso baú das preferências musicais.
Os Moonspell sempre me cativaram pela singularidade do seu
estilo e particularidade do seu berço.
Uma banda portuguesa de Black Metal (?) carregada de inteligência, virtuosismo e
competência?
FUCK!!!!
Bom demais para ser verdade.
Acompanho a carreira destes ilustres lusitanos desde que me
apareceu pela frente o estrondoso tema
Nocturna.
Cheguei tarde, mas ainda deu tempo para explorar o passado e
acompanhar o glorioso percurso destes génios do Metal.
A viagem foi alucinante, mas o feitiço acentuou-se com o
aparecimento desta verdadeira obra de arte: EXTINCT!
Não tive a mínima dúvida em colocar este fabuloso álbum no
meu Top 10 dos melhores de 2015.
Tenham a amabilidade de conferir.
Eu já sabia que, lá por fora, esta anunciada extinção iria ser alvo de
grandes aclamações. Só não estava à espera deste, intramuros, acontecimento sobrenatural.
A Sociedade Portuguesa de Autores condecorou Extinct com o prémio de melhor
disco de 2015. Aleluia! Elevemos os braços aos céus e entoemos cânticos de
alegria! Finalmente um aplauso nacional para uma banda genial, cujo único defeito parece estar no rótulo musical, que ainda provoca algum pânico neste pais de
brandos costumes.
MELHORES ÁLBUNS HEAVY METAL - 2015
No
ano passado apresentei uma lista com os
videoclips que melhor estimularam os meus exigentes nervos ópticos.
Desta vez, optei por organizar um cardápio com os álbuns que mais
vibrações provocaram nos meus ultra sensíveis tímpanos.
Nestas
ocasiões especiais, o nosso
departamento de audiovisual é imediatamente chamado a intervir.
Como
já seria de esperar , Skulder, o Grande, arregaçou as mangas e meteu as
mãos na massa para esculpir mais uma das
suas pérolas videográficas.
Como
resultado, temos um elenco de luxo com o que de melhor o Metal - e arredores - nos ofereceu durante o ano de 2015.NYA CRUZ : GARRA LUSITANA!
ENTRADA
NYA CRUZ ( Kandia )
Esta novidade na minha rigorosa galeria das melhores vozes
femininas enche-me de orgulho. Nada de especial, apenas estou orgulhoso
porque tenho aqui um dedinho que nunca
falha. Eu sabia que, mais tarde ou mais cedo , a Nya Cruz iria dar que falar.
Já aqui falei da surpresa que foi a fabulosa atuação dos Kandia na primeira parte
dos Within Temptation no Coliseu do
Porto em 2011. Na altura , tive a sorte de trocar algumas impressões com a Nya e fiquei
de queixo caído: simpática, humilde e com
uma ambição destemida . Uma verdadeira lutadora lusitana. Voltei a encontrá-la no Vagos Open Air 2014 onde, mais uma vez, demonstrou toda a sua
garra e versatilidade vocal. Não foi por acaso que os Kandia venceram o
prestigiado prémio internacional, Global
Rockstar.
All Is Gone foi muito bom, mas… nós queremos mais! Força, c….-lho! Até os comemos! Peço desculpa… agora estraguei-me todo. É muito entusiasmo! Acho que mereço um certo desconto nesta
minha euforia... caramba, estamos a falar de uma fabulosa banda portuguesa… com certeza!
TAYLOR MOMSEN: COM O DIABO NO CORPO!
ENTRADA
TAYLOR
MOMSEN ( The Pretty Reckless )
Taylor Momsen nasceu para ser uma estrela e desde
muito cedo começou a mostrar serviço. Aos dois
anos já entrava em anúncios
publicitários, compôs a sua primeira música aos cinco (dedicada ao seu cão ) e começou
a sua carreira de atriz aos seis .
Nunca embarcou nas carneiradas típicas dos adolescentes.Enquanto os amigos se derretiam com os Backstreet Boys, esta menina ouvia Led
Zeppelin e vestia t-shirts dos
Motorhead. O bichinho já andava ali a espreitar.
Por incrível que pareça, foi uma das três finalistas para
desempenhar o papel de Hannah Montana mas, felizmente, os
ventos sopraram a favor e foi a escanzelada Miley Cyrus a levar a taça. Aleluia!
O primeiro grande salto deu-se no cinema pelas mãos do realizador Gus Van Sant, no
filme Paranoid Park, mas as verdadeiras luzes da ribalta surgiram com a série televisiva Gossip Girl que a transformou numa celebridade
adolescente.
Depois aconteceu algo de sobrenatural que mudou por
completo o rumo dos acontecimentos: White Stripes ao vivo!
Este concerto despertou o tal bichinho que andava ali à
espera da grande oportunidade.
Não tem nada que
saber: mandou tudo pelos ares e formou a banda, The Pretty Reckless . Maldita seja:
ela canta que se farta, ela compõe, ela toca guitarra, ela goza com a
nossa cara e faz corar os bons chefes de família.
F...-se, este animal artístico faz questão de incinerar tudo o que se
atravessa no seu caminho.
Quem diria? Ninguém estava à espera que aquela aparente mosca-morta que um dia quis (?) ser uma estrela da Disney se transformasse numa das novas sensações da vertente feminina
do Heavy Metal.
Dizem que o futuro a deus pertence, mas eu não tenho a
mais pequena dúvida que esta Hot Chick do Heavy Metal, está irremediavelmente condenada ao… fogo do INFERNO!!!!!
ELIZE RYD – A BELA E OS MONSTROS
ENTRADA
ELIZE RYD (Amaranthe)
Aquela colaboração
com os Kamelot , principalmente no espantoso videoclip do tema Sacrimony , provocou algumas ondas
de choque nos meus desgastados neurónios. Quem seria a personagem ? As
intensas pesquisas levaram-me
direitinho ao encontro de uma
banda fabulosa que inventou uma fórmula
que jamais passaria pela cabeça do génio
Einstein : Metal + POP = LOUCURA !!!!!! Para início de conversa, os
Amaranthe, além de ultrapassarem a velocidade da luz em termos
instrumentais, têm 3 vocalistas : dois homens e uma mulher. Nada habitual, diga-se de passagem, mas esta combinação acaba por ser um verdadeiro ménage
à trois vocal… que até arrepia.
Lembram-se da
minha intervenção sobre Maria Demurtas dos Tristania ? Aqui ninguém “abafa” ninguém . Todos sabem ocupar o seu lugar e todos brilham à grande e à sueca ! A doce e delicada voz de Elize Ryd contrasta de forma magistral com os registos
mais “violentos” dos seus companheiros Henrik Englund e Jake E.
Digamos que os
Amaranthe são uma espécie de : A Bela e os Monstros !
Só tenho pena que
o grande Einstein não esteja cá para assistir a estas novas descobertas científicas…
SENHORAS DO METAL : IN THIS MOMENT - MARIA BRINK
É caso para dizer : onde é que eu andava com a cabeça?
Hoje vou dedicar o meu precioso tempo a uma banda que me deu um certo trabalho a… encaixar.
Em tempos passei pelo tema The Promise e deixei a coisa andar. Achei
aquilo um pouco descabido. Uma mulher com vozes guturais ? Não combina. Não fica bem.
Foi preciso uma provocação de um “amigo” do Youtube para me tirar do sério.
Não dei parte de fraco e a minha resposta foi rápida e
certeira : “Maria Brink não passa de uma espécie de fusão algo desajeitada entre Lady Gaga e Marilyn Manson”.
Como podia alguém ter a distinta lata de pôr em causa as geniais
análises deste conceituado crítico
musical ?
Ainda assim, como sou uma jóia de pessoa e num gesto de grande humildade, resolvi ir
atrás do prejuízo em busca de algum pormenor que tivesse escapado ao meu
rigoroso radar artístico.
No final desse processo , cheguei a uma conclusão algo
estrambólica: primeiro foge-se a sete
pés, depois agarra-se com unhas e dentes!
Efetivamente, à primeira vista, tudo parece forjado e sem alma. Tudo parece feito para
provocar e escandalizar de forma a atraír os holofotes. Tal como Lady
Gaga e Marilyn Manson.
Nada disso… Maria
Brink é um ser especial que nasceu para
fazer algo de grandioso e
genuíno… NO MATTER WHAT!
Isto não é marketing, isto é… ACREDITAR!
Aconteceu! O
momento da verdade surgiu em 2005 com a formação dos In This Moment.
Agora, Maria Brink , já podia transportar para as
suas músicas todo aquele turbilhão de
emoções que foi acumulando ao longo do tempo. Agora já
nos podia falar sobre o abandono do seu
pai em Daddy’s Falling ou sobre a morte do seu melhor amigo em, Legacy Of Odio.
Agora, já podia… explodir!!!!
O que os In This Moment fazem é metal puro e
duro. Sobre essa base são
acrescentados samplers electrónicos , criando
uma parafernália de sonoridades que deixa o pessoal meio atordoado. Ou se gosta ou se odeia!
A toada tanto é violenta e imprópria para cardíacos como
de repente vira para tons mais serenos e experimentais. É precisamente aqui que entra a galáctica voz
de Maria Brink as partes guturais e limpas encaixam que nem uma luva nessas
fulminantes alterações rítmicas.
As pinturas, o aparato cénico e a intensa carga erótica
completam este imenso caldeirão fumegante que, afinal, não é mais nem menos que
o reflexo da personalidade irrequieta e exuberante desta “beldade assassina”
que dá pelo nome de Maria Brink.
Quanto ao nosso amigo do Youtube, acabei por sair de fininho
com a envergonhada justificação : “ Pronto… ok… tudo bem… a tipa até é
desenrascada.”
ENTREVISTA - ANTÓNIO FREITAS ( 2ª. Parte )
Não há volta a dar, quando se fala de Heavy Metal, todos os caminhos vão dar a… António Freitas !
Prosseguimos em
ALTA TENSÃO com a segunda parte da nossa eletrizante conversa com este fenómeno
da comunicação metaleira.
ROCK ON, BROTHERS !!!!
Será
que em Portugal as pessoas ainda estão
intrigadas com o Heavy Metal ? A televisão
continua bastante assustada. A que se deve , por exemplo, o total desprezo
em relação ao festival Vagos
Open Air ?
Os tempos mudaram
e basta olhar para os nossos filhos para constatar que eles já estão à vontade com a noção do Heavy
Metal. A televisão está um pouco
afastada devido aos custos de
produção. Eles dizem logo: “ isto não tem audiência, a malta agora vê
tudo na internet e já não faz
sentido fazer programas de televisão”. Eu acho que não é assim que
funciona porque há muita gente que ainda vê televisão e é por aí que se educa
muita gente. Aliás muita gente me diz que aprendeu através dos meus programas de televisão e rádio.
Em relação a Vagos, a questão é que o festival ainda não atrai
suficiente quantidade de pessoas para merecer uma cobertura pelos principais canais de televisão. Isso acabará
por mudar quando aparecerem mais bandas como os Within Temptation que são capazes de atraír esse tipo de atenção
.
Falaste no Vagos
Open Air mas tens o Barroselas que já existe há imensos anos, tens o Moita Metal Fest , o Hard Metal Fest em Mangualde
que também já existe há uma data de tempo, ou seja, tens pequenos fenómenos desse género. Mas, às tantas, não se justifica em termos editoriais a deslocação de uma equipa de televisão.
Isto hoje em dia funciona exatamente assim e é por isso que
tens os canais de televisão a
utilizarem imagens do youtube porque já não têm dinheiro para ir aos locais e
fazer as entrevistas .
Já deves ter assistido a milhares de concertos. Consegues
enumerar os que mais te marcaram ?
Tanta coisa, tanta emoção ! Ver a minha banda preferida , os Black Sabbath, na reunião com o Ozzy Osbourne em Birmingham. Metallica
no Snake Pit em Alvalade, ter a
oportunidade de os ver num clube para
300 pessoas na Alemanha. Caramba ! Ter
estado no estúdio dos Metallica no quartel
general
deles nos Estados Unidos… isto já
não é um espetáculo , mas pronto. Ver o Ozzy ao vivo na República Checa, ir no mesmo autocarro que eles com o Geezer Butler
à
minha frente agarrado a um rádio transistor para ouvir um relato de futebol da equipa dele… man, bolas !
Nos Black Sabbath , chorei de emoção porque estava a ver a minha banda
favorita que eu nunca julguei ver ao vivo .
Assistir ao ensaio dos AC/DC para o Black Ice na Pensilvânia para 1000 fãs. É pá, são
cenas brutais ! Marilyn Manson no início de carreira em Londres… estar ali, junto à grade a tirar fotografias e o gajo a
levar com as escarretas todas do público,
porque ele pedia ao pessoal para lhe
cuspirem para cima. Man, há tanta tanta cena que eu às vezes até me
passo ao relembrar certos episódios marados.
Slayer a tocarem em Milwaukee numa sala que levava 2000
pessoas no máximo. Biohazard com o Bobby
Hambel que era absolutamente incrível, não parava em
palco. Ramones , foi o meu primeiro
espetáculo em Cascais, em 1983, se não
estou em erro . Os Rainbow com o Ritchie Blackmore e o Cozy Powell a tocar bateria, um músico absolutamente
fabuloso .
Estou convencido que tens na ponta da língua os 5 álbuns
que ocupam um lugar de destaque na tua coleção.
Impossível … são muitos anos! Quando me perguntam que álbuns é que eu levaria
para uma ilha eu fico logo… Antigamente
pensava , “como vou levar os meus 40.000
discos para a ilha ?”, agora já
consegues colocar isso num disco rígido. Mas, assim, obras incontornáveis ? Eventualmente o Master Of Reality dos Black
Sabbath,
Ride The Lightning , dos Metallica . Frank Zappa, Shake Yerbouti,
que é um álbum que me partiu a cabeça
porque me obrigou a aprender a falar inglês para perceber as maluquices que lá
estavam. Tanta coisa !
Pink Floyd é essencial , Doors, Fear
Factory, White Zombie, System Of A Down, Thin Lizzy, Blue Oyster Cult . Há tanta cena
emocionante que eu não consigo dizer só
5. Desculpa !
Já falaste com
grandes estrelas do Metal. Todos sabemos
que entrevistaste aquele que será um dos
maiores ícones da história do Heavy Metal. Como é que correu esse
encontro com o lendário OZZY OSBOURNE ?
Eu falei com ele três vezes e foram todas, assim, algo maradas. A primeira foi em Madrid, ele andava a anunciar
que tinha deixado de beber, o gajo
estava à minha frente a… desfazer-se! Mas o Ozzy é uma daquelas personagens
marcantes.
Mas, conversas, conversas, tenho com o Danko Jones, um puto canadiano que faz álbuns
absolutamente incríveis. Tive uma grande conexão com ele a falar de música… é desabafar, percebes ? Porque eu sou daquele tipo de pessoas que só
fala de música. Eu não falo de futebol porque não tenho pachorra , carros,
gajas… eu falo é de música ! Já estás a perceber, estou a dar-te aqui um
bocado de seca porque eu raramente tenho a oportunidade de falar com as pessoas sobre música.
Com o Danko Jones tive essa
ligação. É pá, mas Marilyn Manson foi também outra pessoa
absolutamente incrível que eu segui desde o início.
Os Metallica… o Hetfield
é muito boa onda, é o gajo mais tímido e reservado da banda. O extrovertido é o Lars Ulrich, é aquele bonacheirão que começa a falar e nunca mais
acaba .O Kirk Hammett é também algo tímido e nos momentos mais
tensos está ali para acalmar o pessoal.
O Jason Newsted é um porreiraço de primeira água.
Deve
existir um António Freitas para lá do
metal. Deves gostar de ler.
Nunca li jornais e
livros é basicamente biografias de artistas. Tive o prazer traduzir a história
dos AC/DC que vai ser publicada brevemente. Li também a biografia do Sting, do gajo dos Red Hot Chili Peppers e estou a preparar-me para ler a do Dave Mustaine
. Mais, biografia do Ozzy, Tony Iommi , Lemmy…
livros é por aí.
Cinema ?
Vejo muito cinema,
a minha obra de referência será,
eventualmente, a Laranja Mecânica do Kubrik e o Alien
do senhor Ridley Scott. Há uma data de outro filmes que também gosto mas foram estas obras que me deixaram
completamente de rastos .
A
minha filha adorava saber a tua opinião sobre estas duas bandas :
É uma banda que está bem conseguida mas confesso que
esperava que eles fossem por outro tipo de tendência, por assim dizer. O último álbum deixou-me algo desiludido porque
estava muito rip-off … cenas gamadas aos Machine Head . Acho que eles não tinham necessidade de fazer
isso , pura e simplesmente. São uns putos com cabeça e gostava imenso que eles
fizessem algo de mais pessoal .
É aquela onda da nova geração que eu acho que é muito
igual a tantas outras. Curiosamente, o
meu filhote mais velho anda a ouvir
precisamente esse género de bandas…
Perdemos a mão neles… eles agora é que sabem ?
Não, de forma alguma, é por essas bandas que eles vão acabar por ir
bater ao sítio onde tudo começa .
Para finalizar, consegues identificar na cena metaleira nacional alguma banda com potencial para seguir as pisadas dos consagrados
Moonspell ?
Dificilmente…
digamos que Portugal está muito deslocado da base e torna-se complicado as bandas portuguesas
saírem do seu berço. Os Moonspell conseguiram porque foi na altura certa. Se te lembrares tinhas os Ramp e os Tarântula
que ainda gravaram algumas coisas a nível internacional mas depois as coisas
não correram muito bem . Os Moonspell serão ,eventualmente, o único caso de
sucesso internacional. Faça-se a exceção
para os More Than a Thousand que estão a
fazer carreira além-fronteiras. Tens que falar nesta banda à tua filha porque estão
dentro daquela onda , Emo e Metalcore.
Moonspell
MORE THAN A THOUSAND
ENTREVISTA - ANTÓNIO FREITAS (1ª.Parte)
Não tenho a mais pequena dúvida que os metaleiros da
minha geração foram manietados e desencaminhados pelo poder hipnótico destas
duas monstruosas figuras da rádio :
António Sérgio e Luis Filipe Barros.
Numa época em que a internet não passava de uma miragem,
os programas , Lança Chamas e Rock em Stock, captaram a atenção dos putos que
ansiavam por novos estilos e
sonoridades.
António Freitas , fazia parte dessa multidão mas, o seu enorme
talento, fez… maravilhas !
Os Deuses, António Sérgio e Luis Filipe Barros, não estavam loucos quando “abençoaram” esse
puto maravilha que, aos poucos , percorreu o seu caminho
e transformou-se numa das vozes mais influentes do nosso meio musical.
Este blogue já passou por muitas fases, teve altos e baixos mas, agora… entrou mesmo em ALTA TENSÃO !
Diretamente da Antena 3… o MESTRE está aqui !
Na
altura da tua infância quais foram os
fatores que orientaram os teus gostos
musicais no direção do Metal. Alguma banda ou álbum em
especial ? Influências de amigos ?
O meu irmão contava-me histórias que, em Luanda ,
quando eu era bebé, costumava adormecer-me a ouvir Led Zeppelin, Creedence Clearwater Revival e coisas assim do género. Portanto, só por aí, tenho que agradecer ao
meu irmão pelo excelente bom gosto. Eram
as cenas que ele ouvia na altura em
gravador de bobine.
Aos 10 anos virei-me efetivamente para a música. Era um
fascínio total talvez derivado à Generation
Gap entre mim e a minha mãe. Ela teve-me muito tarde e, talvez por não me associar muito às ideologias
dela, cresci assim um bocado à parte. Era um puto um bocado
virado para o solitário.
Depois aconteceu o boom, tinhas o Rock
em Stock e o Lança Chamas na Rádio Comercial. Terá sido mais por aí. Foi mesmo
quase pela rádio.Depois , com o acompanhamento de amigos lá da rua, ouvia Sex Pistols, Ramones e Van Halen. Os AC/DC eram uma paixão absoluta. Eu já contei este
episódio várias vezes : na altura eu ouvia
o Highway to Hell no Rock
em Stock e, quando ía para a escola,
passava pela loja da Valentim de Carvalho : numa semana, estava lá o Powerage, na semana a seguir, o Dirty Deeds Done Dirt Cheap e eu só pensava : “ quantos álbuns é que estes gajos têm ?”. Ficava completamente perplexo porque na
altura não havia grande informação. Tinhas a revista Musica & Som e pouco mais. Depois apanhei com a New Wave
Of British Heavy Metal, Punk
e algumas bandas de New Wave. Os Devo continuam a ser uma das minhas bandas favoritas e ainda hoje
estive a ouvir. Mas a minha sonoridade favorita é mesmo o Metal. Depois comecei
a descobrir os Black Sabbath, os Thin Lizzy, os UFO, eh pá …
Segundo reza a lenda,
o início da tua carreira foi algo de surreal… foste logo parar junto do grande António Sérgio. Como é que isso aconteceu ?
Tive a felicidade e a sorte… e eu digo isto muitas vezes, se não fosse essa pessoa eu não estaria vivo
sequer , porque na minha adolescência, provavelmente, teria
seguido por maus caminhos. No meu prédio vivia o João David Nunes que era
o diretor da Rádio Comercial. A minha
mãe cruzava-se muitas vezes com ele e, como também tinha filhos novos, costumava perguntar : “ Então , D.Rosa , como
é que está o Toni nas aulas?”, “Ai,
Sr. David Nunes, ele não gosta nada de
estudar, eu não sei o que vai ser dele…
só gosta de música, diz que quer ser engenheiro de música e blá, blá,
blá…”. Aquelas lamentações todas
próprias de uma mãe. Por volta dos meus
17 anos , o Sr. David Nunes disse à D.Rosa : “ Oiça, vamos fazer assim, o Toni vai lá ter comigo à rádio para fazer um
estágio, mas, se ele não tiver jeito , vem
como foi, não há nada, não se passa nada e acabou-se tudo, ok ?”.
A minha mãe ficou felicíssima e eu ainda mais feliz da vida,
porque ía trabalhar para a rádio dos programas que eu ouvia . Atenção,
repara que eu não percebia absolutamente
nada de rádio , sabia carregar no botão, ouvia a música e ouvia as pessoas a
falar sobre a música… ponto. Não tinha a mais pequena noção do que era a rádio,
do que era um assistente de realização…
Naquela altura nem
sequer imaginava que iria fazer um programa de rádio, Tú estares ali , com
aqueles autênticos monstros como o
Carlos Cruz, Herman , Luís Filipe Barros,
José La Féria… imagina o que é conviver
com essas pessoas. Ficava completamente
de rastos !
Mas o António Sérgio terá sido a pessoa que mais te
marcou…
Sim, o António Sérgio foi sempre uma referência, não só pelo registo de voz como pelo facto de fazer o meu programa favorito . Eu ofereci-me como voluntário para ser
assistente dele. Não era sequer pago para isso, bastava ter a honra e a
felicidade de estar ali perto Uma verdadeira
escola de vida e, como digo, foi talvez a minha salvação de, como puto
adolescente parvinho, me ter metido por
caminhos perigosos.
O facto de teres convivido com toda essa gente alargou-te os horizontes e deu-te aquela dose
extra de motivação para seguires o teu caminho ?
Repara numa coisa, eu não pensava nisso nesses termos,
julgava que aquilo era um sonho muito bom que a qualquer momento podia acabar . Nunca considerei aquilo como uma
forma de emprego . As coisas vieram ter comigo. Nessa altura surgiu a revista Super Som e convidaram-me para fazer lá uma página a
escrever sobre algumas bandas. As pessoas também me reconheciam algum talento
no aspeto de que conhecia muita música e era um puto atento . Sabia que fulano
de tal tinha estado naquela banda e depois deu o salto para a outra e coisas
desse género. Eles às vezes até pensavam que eu inventava essas cenas.
Foi uma autêntica aventura. Nem nos meus sonhos mais estapafúrdios eu
alguma vez pensei nisso. Isto não estava
nos meus planos porque eu nem sequer tinha planos. Eu cheguei a ser ajudante nas obras ,ajudante
de eletricista e coisas desse género…
Não há volta a dar, parece mesmo que tinhas já tudo planeado.
É que a partir daí
foi sempre a subir . Fizeste parte
daquela fabulosa equipa que colocou a
Rádio Energia no mapa .
Acho que em público nunca disse isto, mas confesso que fiquei triste quando vi o Miguel Quintão e o Augusto Seabra abandonarem a Rádio Comercial
depois de termos tido aquela aventura do
Rock em Stock de 6 horas com o Luis Filipe Barros.
Eles
foram abrir efetivamente a Rádio Energia. Mas o Miguel Quintão sempre disse : “ Puto, tem calma, mantém-te
firme que daqui a uns tempos nós conversamos”. A Rádio Energia, no
início, tinha um programa de heavy metal
que, na minha perspectiva, era feito
de forma algo improvisada .
Um ano depois da Energia
estar no ar, vieram ter comigo com a proposta de eu ser um dos produtores, ou seja,
coordenar notícias, fazer sons e
coisas assim do género. A minha condição para ir para lá foi : fazer a hora de Heavy Metal à noite. Para isso
tiveram que afastar a pessoa que lá estava. Pronto,
eu não queria que acontecesse nada de mal a essa pessoa mas… são
vicissitudes da vida.
Foi nessa altura que deste o verdadeiro salto…
Aí foi efectivamente a minha oportunidade de marcar um
territoriozito… porque a rádio era local. Como eu tinha o background do Lança Chamas pude designar um programa de 1 hora de metal
diária , onde incluía todas as vertentes da sonoridade. Eu
gosto muito de Hard- Rock e Heavy Metal,
algumas coisas de Black Metal e de Grindcore,
mas acredito que do outro lado as pessoas
também gostem de outras coisas. Portanto, a minha obrigação era divulgar e mostrar… sempre
foi essa a minha atitude desde o início do programa.
Tinhas liberdade para isso ?
Sempre me deram.
Havia muita gente que dizia que
eu era um vendido e que estava feito com as editoras. Quais editoras ? Era eu
que ía ter com as editoras , “ Vocês
já têm este álbum dos Fear Factory ? Isto é um som do caraças !”. A resposta era sempre a mesma : “ Ó Freitas lá
estás tú com as tuas coisas , a gente nem conhece isso…”. Sempre
foi assim percebes ? Era raro as editoras virem ter comigo . Mas tens aí aquela
malta que pensa que é muito esperta e percebe muito das coisas: “ O gajo é um
vendido, as editoras e o caraças… “. Isso é o espírito mesquinho muito próprio
português, que também existe no estrangeiro,
devo confessar.
A única liberdade que não tive foi nos horários…
A chegada à
televisão era inevitável e começou , creio eu, na SIC Radical...
Não sei se era inevitável, mas nessa altura já havia a
curiosidade de poder fazer um programa
onde se mostrasse basicamente videoclips e se divulgasse as bandas. A aventura deu-se , por acaso, com alguma coisa que vinha a ouvir no carro
agora mesmo : Slipknot.
Na Energia comecei a escrever para o Blitz. Tinha lá as minhas entrevistas e aí realizei uma ideia que tinha quando comecei a
trabalhar na rádio que era poder entrevistar os artistas que faziam música. Uma
das coisas que me irritava solenemente, era ler
revistas e jornais onde tinhas criticas
de um senhor qualquer : “Isto é muito barulho, o Bon Scott tem uma
voz de cana rachada, blá, blá, blá… “. Nunca ouvias a palavra dos próprios
autores o que me deixava bastante frustrado. Uma coisa que eu consegui realizar
graças ao poder de estar associado à rádio foi ter uma entrevista por semana num
jornal como o Blitz. A partir daí as pessoas começaram a ter a noção do que é
que eu fazia e surgiu um convite para ir ao Curto Circuito da SIC Radical , entrevistar, precisamente, os Slipknot.
Eles estavam assustadíssimos com a ideia de terem lá aqueles mascarados. Naquela altura a imagem era
de facto intrigante para muita gente.
Essa aventura dos Slipknot foi o início. A partir daí eles ficaram fascinados pelo facto de eu estar à vontade
a fazer as perguntas e a traduzir quase em simultâneo. E surgiu o convite : ” Ó Freitas que achas da
ideia de vires cá uma vez por semana ?”. A resposta só, podia ser uma : “Por mim, à vontade… vamos lá !”. Após algum tempo
as pessoas começaram a sugerir que eu tivesse um magazine ,ou seja, um programa à parte.
E foi assim que,
efectivamente, acabou por surgir o Hipertensão.
Depois tiveste uma colaboração com a revista Loud.
A Loud foi
fundada por mim. Primeiro, abandonei o Blitz para lançar a revista Riff que não correu muito bem porque o dono não era assim muito a favor de gastar
dinheiro e de pagar às pessoas . As
coisas acabaram por não funcionar. Esse
projeto acabou e a mesma equipa fundou a
Loud. Era eu,
o José Rodrigues, Nelson Santos e o grandioso Emanuel Ferreira. Ainda me lembro de estar a dar o número zero no espetáculo dos Korn no Pavilhão Atlântico. A tirar as revistas do porta bagagens do meu
carro para as oferecer. Foi uma imagem brutal
!
Os tempos mudaram, agora temos a internet e basta um clique
para a malta aceder a tudo o que se vai fazendo. A rádio será engolida pelo sistema ou terá o importante
papel de colocar alguma ordem na casa ?
Eu penso que na internet está tudo misturado e torna-se difícil separar o trigo
do joio…
Absolutamente, é precisamente essa a minha opinião
A imensidão da internet… aí é que está, os putos não conseguem,
efectivamente, saber tudo.
Eu, tal como tú, já temos a experiência de termos acompanhado o
nascimento de uma sonoridade , a evolução, a derrocada,
o renascimento… temos a
facilidade de encontrar o que é realmente
genuíno.
A rádio continua a ser o fenómeno de comunicação mais
imediato que tú podes ter. Atenção, com
as devidas distâncias, porque se estás à
espera da meia-noite para ouvir um programa, obviamente, hoje em dia, com a internet, já conseguiste aceder a essa informação. De
qualquer das formas, a rádio será sempre uma escola . Nos Estados Unidos começaram a lançar novos grupos em programas de televisão que tinham grande
fama, deram várias voltas às coisas e , pelas próprias palavras do influente produtor Rick Rubin,
acabaram mais uma vez no sítio do costume, ou seja, na rádio… nos radio personalities. As pessoas
identificam-se com o Howard Stern, sabem
o que é que ele gosta e ouvem-no. Por aí
, mais facilmente conseguem chegar às coisas. Por aqui o que é que eu posso oferecer
? A minha experiência , o facto de ter
já conhecido muitos artistas,
já topar alguns de ginjeira e
perceber quando é que eles estão a mentir ou a dizer verdade. Percebes ?
Isso é coisa que na internet não consegues ter , muito menos as novas gerações, porque
desta banda podem passar para aquela
e para a outra…
Como analisas o momento atual da cena metaleira mundial
? Por exemplo, o caso da
proliferação das Female Fronted Bands.
Será apenas uma moda ou veio mesmo para ficar ?
Esse é um
movimento que já está em marcha e não
pode ser parado. É como o Rock ‘n’Roll: toda a gente dizia que iria perder o interesse, mas a verdade é que já existe desde o final
dos anos 60 , proliferou e continua por
aí . Até mesmo quando andaram a declarar
que o Punk estava morto. Não
está nada morto ! Tú vais ter as novas gerações que ficam fascinadas por uma banda que ouvem… vão querer imitar e depois ganham a sua própria personalidade. O efeito é perpétuo. O fenómeno das Female Fronted Bands surgiu com uma onda mais gótica com o sucesso dos Nightwish e Within Temptation . Por aí se começa a
evoluír. Depois tens case studies
como o caso dos Arch Enemy, que têm uma
senhora a vociferar e com uma voz mais
ameaçadora que muitos homens que andam
por aí em certas bandas .
Cada vez que encontro o meu amigo Billy Gould dos Faith
No More digo-lhe sempre
“Já está tudo inventado man “ ele fica logo irritado “ Não está nada ,
não sejas assim, é mentira, há milhões de combinações de acordes e não
sei quê”, eu respondo “ Não me lixes, diz-me lá uma coisa nova que tenha aparecido”
e o gajo cala-se… estamos sempre nessa conversa . Sou apologista
de que, realmente, é cada
vez mais difícil construíres uma personalidade . É isso que eu digo às bandas que entrevisto : “Vocês têm que ser vocês mesmos, têm que ter um vocalista que se distinga e que não seja igual a todos os outros que já existem. Têm que fazer qualquer coisa com o vosso cunho”. Isso leva tempo , obviamente é necessário evoluír para chegar a esse estado.
Sinceramente há algumas bandas que até me impressionam, por
exemplo, tens muitos talentos novos e bastante interessantes a surgir na onda do Metal Progressivo. São bandas que fazem um álbum muito interessante e ficam por ali, não te surpreendem muto mais. Eu sou um gajo que não estou naquela onda , “ Eu já sei tudo, ninguém
me consegue impressionar”, não man, eu passo horas e horas à frente do computador
a descobrir musica, a ouvir música e quero sentir-me arrebatado, percebes ? Vejo coisas bem feitinhas dentro de uma certa
onda e percebo, “ isto tem influencias dos Arch Enemy com um cruzamento de Trivium e
uma pitada de Metallica, pronto, ok, mas vamos lá ver o que esta banda vai dar”.
Ainda recentemente, a Roadrunner
tentou impingir a ideia de uma banda que são os King 810. Os gajos dizem “ aqui estão os novos Slipknot” , tú ouves e… pronto, o vocalista é meio marado do juízo mas aquilo é quase uma
cópia dos American Head Charge que surgiram
nos anos 90, gravaram um álbum que eu gosto muito, mas depois ficaram no nada. A última banda que eu achei interessante foram os Five Finger Death Punch. É numa onda Pantera , têm aquela garra porreira, sabem fazer cenas com ritmo e
o vocalista também é um grande marado.
SENHORAS DO METAL : SLEEPING ROMANCE – FEDERICA LANNA
Não é preciso ser um génio para perceber que estes
italianos de Modena não inventaram a
pólvora mas, aquele toque pessoal de Federica Lanna , não deixa de ser uma lufada de ar fresco no ambiente
super congestionado do Metal Sinfónico.
Bem vistas as coisas,
o estilo envolvente desta “caloira “ da região dos luxuosos Maserati ,
não é mais nem menos do que
uma mistura de várias influências.
Assim de repente , o que salta mais à vista são as
evidentes semelhanças físicas e vocais com a consagrada Sharon den Adel .
Também dá para notar alguns vestígios
de Charlotte Wessels ou até de
Simone Simmons.
Numa altura em que o álbum de estreia , Enlighten,
ainda provocava algum burburinho , os Sleeping Romance não perderam tempo e regressaram em força com o single, Fire & Ice.
Para os ouvidos mais distraídos as coisas poderão soar
algo batidas, no entanto, ninguém me tira da ideia que há
ali qualquer coisa que pode levantar voo
a qualquer momento.
Não quero estar aqui a armar-me em esperto mas tenho um palpite que esta “ Bella Ragazza” ainda nos vai dar
muitas alegrias.
TUDO BONS RAPAZES : Álvaro Costa, Miguel Quintão e…
Esta é a famosa foto que fez imenso
furor nas redes sociais.
Pronto, se calhar não fez tanto furor assim… eu é que tenho uma tendência doentia para empolar
um pouco as coisas . Adiante… a história conta-se em poucas palavras.
Era uma vez um puto aventureiro que, numa das suas arrojadas peregrinações pelo espantoso
mundo do Metal, deu de caras com dois ilustres lusitanos : Álvaro
Costa e Miguel Quintão.
Como seria de esperar, houve logo festa à portuguesa !
Na altura, vaticinamos
que esta foto iria dar muito que
falar !
Grandes profetas ! O tempo voou e cá
estamos nós a tentar adivinhar onde tudo
isto aconteceu .
Enviei a foto para o
mestre Álvaro Costa que tratou logo de inventar um concurso para decifrar o
mistério. A coisa esteve difícil, mas a
maioria do pessoal acertou ou andou lá perto.
Aqui está a prova do “crime” !
Há milhões de anos
atrás, eu e um grande amigo metemo-nos no meu Fiat Tipo e “zarpamos” a todo o gás em direção a Barcelona para o
lendário Monsters Of Rock .
O elenco era de fazer crescer água na boca : AC/DC,
Metallica e Queensryche !
METALLICA em 1991
Por incrível que pareça, foi a banda de menor cartaz que nos
fez embarcar nesta gloriosa aventura. Infelizmente, já nas imediações do Estádio Olímpico, recebemos a
triste notícia que os Queensryche tinham cancelado o concerto à ultima da hora, tendo
sido substituídos à pressa pelos Tesla.
O choque foi brutal mas o ambiente era de tal forma eletrizante que nem
houve tempo para grandes lamentações.
Levantamos a cabeça e mergulhamos de corpo e alma naquela atmosfera
infernal que tomou conta da “Montanha
dos Judeus “ .
Conclusión : fue
una cuchipanda de clamar a los cielos !!!!!
AC/DC em 1991
EVERGREY – UM HINO À PERFEIÇÃO !
Os Evergrey atravessaram-se
no meu caminho no longínquo ano de 2003
através do assombroso álbum , Recreation
Day.
Confesso que o impacto foi catastrófico. Apesar da idade avançada , considero-me um
senhor alegre e bem disposto, mas
aquele ambiente sombrio a resvalar para a melancolia acabou por me
afetar de forma irreversível. Nunca mais fui o mesmo .
A partir desse
crucial momento , foi sempre a andar para trás : In Search Of Truth (2001), Solitude, Dominance, Tragedy
(1999) e The Dark Discovery (1998)
Depois , levantei a cabeça e segui em frente : The Inner Circle (2004), Monday Morning Apocalypse (2006), Torn (2008) e Glorious Collision (2011)
Nesta longa viagem , e após intensa reflexão , concluí que , apesar da diversidade temática e sonora , todos estes álbuns possuem um cunho muito especial que os une. Será uma espécie de marca registada dos Evergrey. Foi esta atmosfera “ inquietantemente depressiva “ que transformou este quinteto escandinavo numa banda de culto dentro do “underground” metaleiro internacional.
Nesta longa viagem , e após intensa reflexão , concluí que , apesar da diversidade temática e sonora , todos estes álbuns possuem um cunho muito especial que os une. Será uma espécie de marca registada dos Evergrey. Foi esta atmosfera “ inquietantemente depressiva “ que transformou este quinteto escandinavo numa banda de culto dentro do “underground” metaleiro internacional.
Estamos a falar de uma banda de Metal Progressivo com
tonalidades obscuras e com traços
bem definidos : guitarras
sublimes, letras emocionantes, estrutura musical inteligente mas acessível e, “ last but not least” … a imaculada
voz do carismático TOM ENGLUND
!
Aqui não há espaço para contos de fadas. Os temas
abordados são fortes e de difícil digestão :
religião,
pedofilia , corrupção, amor, ódio, pânico, suor e …
muitas lágrimas !
Andei para trás e fui para a frente … eis-nos chegados à reta final de 2014 .
Será altura para
estender a passadeira vermelha para a obra-prima : HYMNS FOR THE BROKEN !
Em Glorious
Collision fiquei com algumas
minhocas na cabeça quanto ao rumo que a banda poderia levar.
Agora posso respirar de alívio porque as
dúvidas dissiparam-se por completo.
Com o regresso dos “filhos pródigos” , Henrik (guitarra) e Jonas (bateria),
a antiga química funcionou na perfeição e estamos de regresso aos
fascinantes trilhos cinzentos e
melancólicos que nos fazem vibrar e parar … para pensar.
Não há duvidas : os EVERGREY regressaram em grande … ao local do crime !
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