Ainda na sequência
da publicação sobre a minha épica batalha contra os novos músicos digitais(VER) decidi fazer aquilo que qualquer pessoa
sensata faria: juntar-me ao inimigo.
Decidi entrar nesse
mundo só para demonstrar o ridículo da situação.
Deixo-vos aqui três temas,
todos criados pelo meu Max em cinco minutos. Isto prova que, hoje em dia, até um
cão minimamente treinado, pode tornar-se numa celebridade.
E os verdadeiros músicos? Esses, coitados… estão condenados!
Aqui ficam três obras de arte, cada uma com a sua
identidade.
Na
passada semana, quando David Coverdale anunciou a sua retirada do mundo da
música, senti como se alguém tivesse fechado a porta de um bar onde os
metaleiros se juntavam para partilhar histórias, guitarradas e memórias. Porque,
sem Coverdale, talvez este grandioso blog nunca tivesse visto a luz do dia.
Afinal, foi aquela fabulosa voz que me empurrou para o fascinante universo metaleiro
onde vivo até hoje.
Lembro-me perfeitamente das duas vezes que vi os Whitesnake
ao vivo: 1990 em Cascais e 2006 no Coliseu dos Recreios. Foram experiências
transformadoras, quase espirituais… embora, verdade seja dita, eu fosse
praticamente uma criança. Acho que na primeira vez fui ao colo do meu tio Anselmo.
Suspeito que foi nesse preciso momento que
assumi a minha condição de metaleiro crónico.
E agora, com a sua despedida, fica a sensação estranha de que se encerra um
capítulo da minha própria história musical. Coverdale é, e sempre será, uma
daquelas figuras que não têm comparação no reino do Metal. Bem… talvez Ronnie
James Dio, Geoff Tate, Tony Martin e Tobias Sammet consigam sentar-se à mesma
mesa. No fundo, acabam por ser os cinco violinos do Metal.
Estou metido numa embrulhada de todos os tamanhos. As
recentes publicações sobre Keith Wallen e Jonathan Roy fugiram um pouco do habitual ambientemais virado para o Metal.Este desvioprovocou algumas ondas de choque
entre os seguidores deste nosso refúgio musical.
Pelos cáusticose-mailsque tenho recebido, neste momento existe uma espécie de motim,
Metal vs. Pop/Rock.
Meus amigos, vamos respirar fundo e fazer as pazes. Não
precisamos de batalhas porque a música serve para unir, não para separar!
Vou ser curto e grosso: este
blog está aberto a toda música que me transmite algo de especial.
Tem dias que estou mais
virado para os poderosos
riffs
das
guitarras do Metal e tem dias que prefiro as batidas mais suavese cativantes do Pop/Rock/Soul/Blues. Todos os
estilos têm o seu valor.
Deixo-vos com 2 fantásticos exemplos da versatilidade deste maravilhoso blog.
Paz, amor e boas vibrações
musicais para todos!
GHOST HOUNDS – You’ll
Never Find Me
Os Ghost Hounds surpreenderam-me pelo estilo
arrebatador que mistura country rock com fortes influências de blues.
Uma combinação que nos transmite uma forte carga
emocional com a voz de SAVNT a captar
todas as atenções.
RED ELEVEN - Distant Waves
Os especialistas dizem que os Red Eleven são uma banda de
Metal Alternativo. Eu diria que o espectro musical da banda vai
muito mais longe, começando no metal gutural (Death Metal), passando por ritmos
progressivos (ProgMetal) acabando com algumas
pitadas de rock melódico. O tema
Distante Waves é uma viagem alucinante
por todos esses mundos.
Por vezes, antes de vir aqui, gosto de publicar nas redes sociais, só para
sentir o pulso da população. Como o tema é pertinente, estava à espera de
milhares de “gostos”. Foda-se… não consegui. Fiz questão de felicitar
pessoalmente as magníficas seis pessoas que colocaram o tão desejado “like”.
Lógico: se houvesse fotos do cão de estimação, convívios gastronómicos,
ginásios, frases filosóficas de motivação e amores fracassados… seria a loucura
total!
Mas aqui estou à vontade. Este é outro campeonato. Vocês aguentam um texto
com mais de duas frases.
E pronto… aí vai ele, o tema!
Vivemos na era da Inteligência Artificial. Ela ajuda a prever doenças,
explorar o espaço, elevar o nível das publicações nas redes sociais e escrever
em blogues como este. Atenção: mal ou bem, eu já escrevo neste blogue desde o
século XVI… a IA ainda estava no cu da galinha e o Camões ainda andava de fraldas.
Agora a sério, isto da IA é muito bonito, mas há sempre o lado sombrio. Os abutres estão
sempre à espreita para tirar proveito das falhas do sistema. Tudo bem, até me
podem burlar nas compras online ou roubar os dados bancários, mas, por favor…
deixem a música em paz!
Falando a sério, Brian May já alertou para esta fraude artística e ética.
Nick Cave afirmou que a música vem da experiência humana e não pode ser substituída
pela IA. Hoje em dia, qualquer pacóvio que nunca pegou numa guitarra, ou que
desafina até a cantar os parabéns, consegue "compor" uma música com
meia dúzia de cliques.
Estes “génios da batota” já lançaram músicas como se fossem os Metallica,
Nirvana e por aí fora. Todos os estilos musicais estão contaminados pelos algoritmos.
É um insulto aos verdadeiros músicos, aos criadores que passam noites em
claro a escrever letras, a experimentar acordes, a falhar e a voltar a tentar
para nos darem verdadeiras obras de arte. O talento não é copiável e a
criatividade não se automatiza. Não pode valer tudo!!!
As músicas destes vigaristas digitais nunca entrarão nas minhas playlists.
Vou sempre querer saber quem é o guitarrista que fez aquele solo memorável e o
vocalista com aquela voz que me arrepia. Quero sentir que, do outro lado,
existe alguém de carne e osso, com emoções, com imperfeições e, acima de tudo,
com alma. A Inteligência Artificial deve ser utilizada para salvar vidas, e não
para falsificar arte.
TEMA INÉDITO DOS METALLICA FEITO POR UM CHICO-ESPERTO
Na minha qualidade de benfiquista moderado, tenho de
reconhecer que o Glorioso acabou por se tornar no Flamengo de Portugal! Milhões
de adeptos, orçamentos gigantescos e, de vez em quando, lá consegue levantar um
caneco. Muita parra e pouca uva!
Estava preparado para
felicitar os meus amigos sportinguistas pelo bicampeonato e pela dobradinha. No
entanto, este terramoto no final da temporada levanta algumas dúvidas sobre
esta súbita ascensão leonina. Pensando bem, os erros de arbitragem acontecem e
fazem parte do futebol. A verdade é que alguns erros são tão absurdos que
deixam algumas dúvidas no ar.
Será que o magistral gestor
Dr. Frederico Varandas, afinal, anda a utilizar as mesmas táticas que fizeram
maravilhas no antigo reino do Dragão?
Sinceramente, não acredito
nestas teorias da conspiração. No entanto, as atitudes de alguns futebolistas
leoninos demonstram que, no capítulo do ódio, até conseguem ultrapassar o que
se passava com o outro rival.
Agredirem barbaramente um
adversário e ainda terem a coragem de se vangloriarem do feito nas redes
sociais é demasiado baixo para um clube com a tradição do Sporting.
Só encontro uma explicação
para este fenómeno: esse ódio sempre existiu, mas estava encoberto. Só veio à
superfície com a euforia destes recentes êxitos. Foi a libertação total de anos
e anos de traumas! A verdade é que o Benfica até pode andar meio adormecido,
mas continua a ser uma MARCA poderosa, com um grandioso palmarés que o Sporting
jamais conseguirá alcançar. Todos sabemos que isso é muito difícil de engolir!
Hoje, Tony
Martin celebra 68 anos, e não podia deixar passar esta data sem recordar o seu
marcante contributo para a história do heavy metal, especialmente durante a sua
passagem pela lendária banda Black Sabbath.
Embora Ozzy
Osbourne seja, indiscutivelmente, o rosto fundador da banda e venerado como uma
divindade, Tony Martin foi, para mim, o melhor vocalista que alguma vez pisou o
palco com os Sabbath.Tudo bem, Ronnie James Dio também fez maravilhas!
Com uma voz
poderosa, versátil e carregada de emoção, Tony Martin deu uma nova alma ao som
dos Black Sabbath. Álbuns como Headless Cross, Tyr e Cross
Purposes são autênticas provas da sua genialidade vocal.
Parabéns,
Tony! Apesar de nem sempre teres recebido o merecido reconhecimento, a tua voz
ecoará para sempre nas sombras do Heavy Metal!
David Lynch é um realizador com os pés bem assentes no chão, mas com a cabeça sempre a viajar por galáxias distantes. Não será por acaso que deixa um rasto de destruição sempre que lança cá para fora mais uma das suas grandiosas excentricidades.
Será que o pessoal já se esqueceu da série Twin Peaks, que pôs meio mundo com os neurónios colados ao teto a tentar descobrir o assassino de Laura Palmer? E, se calhar, tudo isso para nada, porque a rapariga ainda deve andar por aí. Tal como o Elvis e o Jim Morrison. Já agora, o Kurt Cobain, o Jimi Hendrix e o Michael Jackson. Andam todos por aí, cantando e rindo às nossas custas. Peço desculpa, mas ainda estou meio influenciado pelo filme que acabei de rever e já nem digo coisa com coisa.
Meus amigos, Mulholland Drive ultrapassou todos os limites. David Lynch é cruel e vai gozando, descaradamente, com a nossa cara. A história é super enigmática e, para quem ainda não teve a coragem de a abordar, deixo aqui um ligeiro cheirinho para aguçar o apetite dos meus camaradas “psico-masoquistas” que, tal como eu, adoram torturar os seus indefesos cérebros.
Tudo começa quando Betty chega a Los Angeles com o sonho de se tornar numa grande atriz e conhece acidentalmente Camilla, que está meia esgazeada devido a um aparatoso acidente numa curva em Mulholland Drive.
Mas assim seria fácil demais. Vou reformular o parágrafo anterior. Aqui vai um flashback:
Tudo começa quando a canadiana Diane chega a Los Angeles com o sonho de se tornar numa atriz famosa e conhece por acaso Rita, que está num estado lastimável após ter sofrido um grave acidente em Mulholland Drive. Afinal, quem é que chega a Los Angeles? Betty ou Diane?
Deu para entender a complexidade da coisa? Mas isto são “peanuts” se compararmos com a imensidão de perplexidades que nos vão surgindo pela frente. O momento zero de todas estas anormalidades surge no fatídico instante em que Diane adormece. Temos de estar emocionalmente bem preparados para não darmos trabalho aos nossos familiares. Acreditem, isto é só um aviso! O ambiente descarrila a sério e torna-se assustadoramente sombrio, culminando numa série de incongruências, delinquências e extravagâncias que nos deixam completamente apáticos e sem a mínima capacidade de reação.
Todos sabemos que a arte e a loucura andam muitas vezes de mãos dadas, mas, quando chegamos ao misterioso Clube Silêncio, ficamos com a estranha sensação de que David Lynch só podia andar a fumar alguma erva rara que o pôs completamente desvairado. O mais grave é ele pensar que a melhor forma de transmitir o seu desnorte é fazer o espetador partilhar as suas alucinações.
Rebekah Del Rio, com aquela sobrenatural interpretação do tema Crying, de Roy Orbison, deixa qualquer um em estado de choque. Betty e Rita não resistiram e foram-se abaixo de forma arrepiante. Verdade seja dita, nem a Ágata, nos seus melhores dias, conseguiria uma performance tão poderosa.
Enfim, talvez seja melhor ficar por aqui. Quem pensa que pode acabar de ver o filme e sair tranquilamente para tomar um cafezinho pode tirar o cavalinho da chuva. Mulholland Drive é uma assombração que vos irá perseguir durante uns tempos. O universo “Lynchiano” está infestado de perigosas armadilhas e não pode ser enfrentado de peito aberto. Eu armei-me em esperto e acabei por pagar bem caro a ousadia.
Andei uma temporada a viver numa espécie de campo metafísico, situado algures entre a realidade e o sonho. O medo tomou conta de mim. O simples gesto de ligar a televisão era suficiente para apanhar cada cagaço que nem é bom pensar. No início, aparecia-me a Teresa Guilherme aos berros e, outras vezes, a Júlia Pinheiro a relinchar. Depois era aquela aberração chamada Manuel Luís Goucha com umas vestimentas super reluzentes e a sua amiga a guinchar. Um verdadeiro pesadelo.